terça-feira, 19 de maio de 2009

A DEFESA DA IGREJA HERETICISTA - parte final

IIIa Parte: A "IGREJA CISMÁTICA E HERÉTICA DOS DOIS PRELADOS"

III.1. A INFALIBILIDADE DA OPINIÃO PESSOAL.

O Professor de Teologia coloca um ‘’dilema’’: o papa não perde o cargo nem por heresia material, nem por heresia formal. No primeiro caso, porque não seria por defecção na fé. No segundo, porque é contra a ‘’imunidade judicial’’ do papa garantida pelo Cânon 1556. Seria contra a ‘’infalibilidade do Direito Canônico’’: seria ‘’cismático’’(p.15).

Eis aqui a defesa inepta da ‘’Igreja’’ hereticista que, através da ‘’interpretação’’ falsa da ‘’imunidade judicial’’, feita contra o Magistério da Igreja e até contra o mesmo Dom Mayer, pretende garantir com ‘’infalibilidade’’ a ‘’opinião’’ pessoal contra os demais cânones da Igreja: 188, 2314, 2315...

Através desse sofisma quer opor um cânon contra os demais e tornar-se infalível a si mesmo e a seus contraditórios líderes. Unir-se com hereges públicos não seria cismático; mas submeter-se às leis tradicionais sobre o ‘’iam iudicatus est’’ seria cismático. São Leão II e Inocêncio III, Adriano I e Adriano II seriam cismáticos. Eis aqui a ‘’teologia’’ do ‘’Professor’’ de Teologia lefebvriana. Quem é infalível: Mons. Lefebvre que aplaude essa doutrina, ou Dom Mayer que a contradiz, pregando o ‘’direito’’ de julgar a um papa (p. 270)? É ‘’um reino dividido contra si mesmo’’.

III.2. NÃO DIVISÃO DOS CRISTÃOS.

Afirma o ‘’mestre’’ de Teologia lefebvriana: É inútil e nocivo discutir, pois divide os católicos por questões de opiniões que não podem ser impostas (p. 15).

Agora bem, a ‘’inutilidade’’ de uma discussão doutrinária só é verdadeira quando uma parte é pertinaz no erro e já não atende aos critérios da razão e da fé, mas às paixões. O Cânon 2315 adverte aos suspeitos de heresia que ‘’devem ser tidos por heréticos’’ se as admoestações que lhes fazem fosse ‘’repetita inutiliter’’. Eis aqui em que posição se colocam os lefebvrianos.

É ‘’nociva’’ a discussão quando se faz sem critérios de fé para impor opiniões pessoais; mas não é quando se faz para vencer os erros com a verdade. Assim, os Santos Padres ‘’discutiam’’ com os pagãos.

O Ecumenismo que pretende manter os erros prega o ‘’não polemizar’’ para que estes não sejam descobertos. E Mons. Lefebvre chego ao cume de firmar um ‘’acordo’’, ratificando esse ‘’não polemizar’’ com aqueles a quem diz ‘’resistir’’ por seus erros e heresias.

É uma injuria à Igreja Católica declarar que suas leis infalíveis e impostas por autoridade são meras ‘’opiniões’’ que não podem ser impostas. O ‘’teólogo’’ quer a infalibilidade para sua ‘’exegese’’ falsa do Cânon 1556, negando, além disso, a autoridade dos demais cânones.

A alegada ‘’divisão dos católicos’’ supõe que sejam católicos os que seguem as opiniões pessoais contra as leis dos ‘’delitos contra a fé’’ e não os que se submetem a elas. Muda o sentido da palavra ‘’católico’’ e de Igreja Católica, aderindo à heresia da Igreja ‘’dividida por natureza’’. Não quer discussão sobre as divisões de credo, para manter uma ‘’unidade fictícia’’ (Pio XI) por cima das divisões de credo. É o Indiferentismo.

O pseudo-tradicionalismo repete o mesmo argumento do Ecumenismo do Vaticano II: ‘’a divisão entre os cristãos contradiz a vontade de Cristo’’. Como se os hereges fossem cristãos e não estivessem ‘’separados’’ da Igreja pela natureza de seu delito (Pio XII – Mystici Corporis).

Maliciosamente como os ecumenistas, Mons. Lefebvre impõe suas ‘’diretrizes’’ a sua ‘’Fraternidade’’, ‘’sem missão canônica’’, e quer ‘’fidelidade’’ a ‘’sua posição’’. Com ‘’autoridade’’ democrática? Com o ‘’criterium fidei’’? Quer a ação ‘’prática’’ desligada da autoridade, como ‘’não dependente’’ da ‘’opinião’’ sobre o papa. Desliga a ‘’pratica’’ da doutrina. Isso não é católico!


III.3. O ‘’NON SERVIAM’’ ENCUBERTO.

Afirma o sacerdote: É ‘’necessário e um dever desobedecer’’ ao papa porque ‘’existem documentos e atos provenientes das mais altas autoridades da Igreja que dão lugar a reserva e rechaço’’ (p. 15).

Eis aqui o ‘’non serviam’’ envolto em luminosidade angélica. Ninguém tem o dever de obedecer a um herege público. Não obedecemos a Lutero. Todos tem o direito de ‘’resistir’’ como Paulo a um papa ‘’errante’’ em matéria de fé.

Mas todos têm o dever de obedecer às leis tradicionais da Igreja sobre delitos contra a fé, sobre suspeitos de heresia, sobre a vacância dos cargos eclesiásticos. Como também todos têm o dever de obedecer a um papa ‘’mau’’, ‘’injusto’’, em matéria não intrinsecamente má, no exercício de um poder que reconhecem como existe e ‘’válido’’.

Não se fazem ‘’reservas’’ nem ‘’rechaços’’ nesta matéria, às decisões disciplinares; não se resistem nas leis tradicionais sob pretexto de resistir ao herege público. Aqui, a ‘’imunidade judicial’’ propalada pelo ‘’professor de Teologia’’ não é observada por ele mesmo. Sinal de que ela é usada como ‘’véu de malícia’’ para ocultar o ‘’non serviam’’ às leis tradicionais do obrar em casos de delitos públicos em matéria de fé.

A ‘’resistência’’ lefebvrista neste ponto é a mesma de todas as seitas, e está condenado por São Paulo (Rom, 13,2)

III.4. SUBSTITUIÇÃO DAS LEIS DA IGREJA POR OPINIÕES OPOSTAS DE DOIS BIPOS.

Termina o hereticista com uma afirmação tenebrosa: Mons. Lefebvre e Mons. de Castro Mayer, segundo a doutrina deles mesmos, ‘’representam o que Roma significa e teria de ser para os católicos’’ (p. 15)

Agora bem, ‘’Roma’’(termo equívoco da linguagem de Mons. Lefebvre) significa para os católicos a cátedra que ensina e governa os católicos com a ‘’divina potestas’’, que é a cabeça de uma Igreja ‘’una’’ e ‘’santa’’ regida primordialmente pelo Espírito de Deus, sem regime ‘’nocivo e perigoso’’, sem divisão entre a doutrina e a disciplina, donde não tem vigência nem direito um credo ‘’não ortodoxo’’, donde não existe leis que ‘’dão lugar a reservas e rechaços’’.

O que Roma ‘’teria de ser’’, ela sempre o foi e será, e nosso ‘’teólogo’’ supõe que não o é. Gregório XVI afirma que é ‘’reprovável e muito alheio da veneração com que as leis da Igreja devem ser recebidas (...), apresenta-la como defeituosa e imperfeita’’ (Mirari vos). Tal suposição é ‘’falsa, temerária, escandalosa, perniciosa, injuriosa à Igreja e ao Espírito de Deus’’ ‘’quo ipsa regitur’’ (Pio VI – D. 1578). Vai contra a ‘’infalibilidade do Direito Canônico’’ (p. 15) que nosso ‘’teólogo’’ quer somente para o Cânon 1556, interpretado falsamente, e não para os cânones 2314, 2315 e 188, também interpretados falsamente.

Partindo dessas falsas premissas, o ‘’teólogo’’ levanta na Igreja as duas cabeças dos dois prelados que não se submetem às leis tradicionais dos delitos contra a fé, como substitutos de ‘’Roma’’, como ‘’representando o que Roma significa’’, o que ela ‘’teria de ser’’ e, segundo ele, Roma não é.

Mas são eles quem defendem que tal cabeça romana é ‘’válida’’, apesar de não ser membro da Igreja. Colocam a fé como uma simples necessidade moral e não como necessidade física para ser papa. Daqui que o papa sem fé seria só um papa ‘’pecador’’ e ‘’imperfeito’’ em matéria moral, só ‘’injusto’’, mas seria ontologicamente válido. Se é válido esse poder do herege público, as excomunhões ‘’injustas’’ feitas por ele em relação aos dois bispos são necessariamente válidas. Estão por isso fora da Igreja, pois a Cátedra de Pedro é a fonte ‘’e qua venerandae communionis iura in omnes dimanant’’ ( Vaticano I – D.S. 3057).

A ‘’Igreja’’ que prega a existência possível de credos ‘’não ortodoxos’’ e de papas ‘’não perfeitamente católicos’’ não é a católica, a ‘’unam sanctam’’. É uma seita oposta a ela. Seus enviados, disse o Tridentino, não são ministros da Igreja, senão ‘’ladrões e salteadores que não entraram pela porta’’; são ‘’non missi’’ que ‘’vem de outra partem mas não legítimos ministros da palavra e dos Sacramentos’’ (D.S. 1769 e 1777)

Se fossem ‘’fiéis’’ à Tradição, ouviriam estas palavras de Trento; ouviriam o Vaticano I sobre a natureza do poder papal (D.S. 3064) e o dever de obediência (D.S. 3060); ouviriam as leis da Igreja sobre delitos contra a fé e a vacância: ‘’habeatur tanquam haereticus’’, ‘’quaelibet officia vacant ipso facto...’’ (Cânones 2315 e 188, n. 4).

‘’Quem não ouve a Igreja seja para ti como um pagão’’.

‘’Maledictus homo qui confidit in homine’’
(Jer. 17,5)


Laus Deo Nostro, Gloria et honor!
A.M.D.G.V.M.

Homero Johas.




(Artigo traduzido da revista ROMA, no 116, novembro de 1990)

sábado, 9 de maio de 2009

A DEFESA DA IGREJA HERETICISTA - parte III

b) Magistério Canônico sobre o julgamento de um papa por heresia

Honório foi condenado por heresia nas Profissões de Fé de três Concílios ortodoxos, por três papas ortodoxos: São Leão II, Adriano I e Adriano II, nos Concílios de Constantinopla III, Nicéia II e Constantinopla IV. Isso foi repetido por todos os papas posteriores da Idade Média na profissão de Fé "Fides Papae" (Ver "ROMA", nº's 113-115).

Não só o III Concílio de Constantinopla condenou a Honório por "seguir as falsas doutrinas dos hereges" (D.S. 550) e "confirmar ímpios dogmas" (D.S. 552). São Leão II o acusa de não ter "a doutrina da Tradição Apostólica" e porque "fidem subvertere conatus est" (D.S. 563). São Leão II confirmou a profissão de Fé do Concílio que coloca a Honório entre os hereges que "disseminaram a heresia". Adriano II repete o "anathematizamus" a Honório, contra aqueles "impiorum haeresiarcharum dogmata sectantes", pregaram a heresia.

Os deformadores do Magistério da Igreja, para a defesa de opiniões pessoais sobre a extensão da infalibilidade papal, fizeram todo possível para negar os fatos históricos. Levantaram suspeitas sobre os documentos, boa parte dos quais são latinos. Julgaram eles diretamente a Honório e o absolveram contra Papas e Concílios. Acusaram aos padres conciliares e aos legados pontifícios de Santo Agatão, dos quais um posteriormente tornou-se o papa João V. Colocaram o Concílio que aclamava Santo Agatão como contrário a ele. Assumiram a defesa de João IV, que inclusive seguia chamando Sérgio de "reverenda memória" e mudava os textos objetivos das cartas por intenções subjetivas contraditas pelos textos.

Chegou por fim a Fraternidade lefebvreana ("Sim Sim, Não Não", 15-11-1988) a condenar ao próprio São Leão II como "injusto" e "censurável" por deixar a Honório "nas sombras da heresia". O "princípio da imunidade judicial" do lefebvrista é pervertido por seu juízo sobre esses concílios e papas que o contradizem no sentido que ele pretende. Seriam esses Papas e Concílios ignorantes na doutrina da Fé? Quando faziam tais juízos em Profissões de Fé? O "Liber Pontificalis", o "Liber Diuturnus", as cartas de São Leão II, o Concílio Quinisexto e o Breviário Romano estão contra a "imunidade judicial" do teólogo lefebvrista.

c) O Juízo ao papa Libério.

O papa Libério não foi julgado por um Concílio mas foi julgado pelos Santos Padres da Igreja. ‘’Sanctus Hilarius illi anathema dicit: Anathema tíbi a me dictum, Liberi, et sociis tuis’’(D.S. 141). São Jerônimo o julgou ‘’in haeretica pravitate subscribens’’, ‘’ad subscrptionem haereseos’’ (K. 630-633). Santo Eusébio: ‘’coepit declarare Liberium haereticum’’(Kirch, 1050). Será isto a Tradição católica, ou estes Santos foram ‘’cismáticos’’ como pretende Mons. Lefebvre?

d) Juízo a papas cismáticos.

O Concílio de Sutri em 1046 julgou a Bento IX e a Silvestre III por simonia e nepotismo. Outro Concílio de Sutri em 1059 julgou e depôs Bento X eleito pela força. O Concílio de Constância, quatro séculos depois, julgou e depôs a João XXIII e a Bento XIII. Acaso violaram a "imunidade judicial" destes papas? E Bento XIII foi acusado não só de cisma, mas também de heresia: "a fide devium", os mesmos termos do Decreto de Graciano (37ª sessão).

Por conseguinte, a exegese lefebvrista é inepta. Papas suspeitos de heresia teve vários e nada se suspeita do [que seja] impossível e do que não é um fato.

II.3. É POSSÍVEL UM PAPA HEREGE.

A. É só uma "questão divergente".

Depois de desvanecer os limites visíveis entre um católico e um herege e de pretender impedir que um papa possa ser julgado por heresia ou cisma, destruindo assim a Fé, a Revelação e o Magistério, o ‘’teólogo’’ coloca o Hereticismo como algo não impossível. Na "hipótese" de se o papa pode ser herético, "os autores divergem" sobre se continua sendo papa ou se perde o cargo. Disse que ‘’Wernz-Vidal não são claros ao referir-se às relações entre a heresia e a condição de membro da Igreja’’. ‘’Sua exposição contém indecisões’’ (p. 13).

Agora bem, isto vai contra o Magistério claro da Igreja em quanto à ordem visível, exterior. É aqui aonde nos situamos. E, sem que vejamos se é verdade que Wernz-Vidal assim se expressaram, basta observar o Magistério de Pio XII: ‘’Na Igreja só são contados como seus membros [ii soli] os que, havendo recebido o Batismo, professam a fé verdadeira...’’(D.S. 3802). A tradição é claríssima a respeito. Qualquer Catecismo exige a profissão de fé para ser membro da Igreja. E a opinião solitária de Bouix de que o herege permanece papa "tem praticamente em seu contrário a opinião unânime da Igreja". É o mesmo Mons. De Castro Mauer que o afirma (p. 251). O contrário é "bastante improvável", afirma São Roberto Bellarmino (p. 246).

Mas é esta a sentença de Mons. Lefebvre e atualmente parece ser também a de Dom. Mayer, pois depois de 25 anos de heresia pública ‘’não julgam’’ ao papa como herege, como pertinaz no erro, publicamente. E chega Dom Mayer a ensinar: "Nós não ligamos de uma maneira absoluta (...) a perda efetiva do papado à perda da condição de membro da Igreja" (p. 280). A incompatibilidade entre heresia e jurisdição ‘’não é absoluta’’. ‘’Está em função das circunstâncias’’ (p. 280), é ‘’casuística’’ (p. 281). Relativizam as leis universais sobre delitos contra a fé. Injuriam a Tradição e ao Magistério de Leão XIII: ‘’Cum absurdum sit opinari qui extra Ecclesiam est, eum in Ecclesia praeesse’’ (Satis Cognitum). Existiriam duas ‘’maneiras’’ de ser papa, indiferentemente... católico ou herege.

Por tanto, reduzem a Tradição e a autoridade das leis da Igreja a opiniões iguais às suas, subordinadas às suas, contraditas por ‘’suas’’ divergências contra o Magistério. Se fossemos a classificar de ‘’opiniões divergente’’ todas as leis da Igreja, atuais ou do passado, todos os ensinamentos da Igreja, só porque alguém se lançou contra elas, nada cairia na Igreja [nenhuma doutrina dela cairia, N.T.].

B. As leis da Igreja não impedem um papa herege.

I. Omissão das leis da Igreja.

O ‘’teólogo’’ lefebvrista examina o Cânon 2314 e o 188. Mas deixa de lado todos os demais cânones: os que definem o herege, os que retiram os direitos de uma pessoa dentro da Igreja por óbice ou impedimento, os que falam sobre cargos de direito divino. Especialmente, os demais cânones sobre ‘’delitos contra a fé e unidade da Igreja’’. Aqui, em especial, não abre a boca sobre o Cânon 2315 que obriga a todos: ‘’deve ser tido como herege’’ quem, depois de admoestado, não faz desaparecer as causas de suspeita sobre ele. Então, a exegese dos dois cânones peca pela base.

a) Cânon 2314.

A argumentação lefebvrista é a seguinte: Este Cânon não fala da perca do cargo ‘’ipso facto’’ por heresia pública. O ‘’certo’’ é que o herege público deve ser deposto. Mas, pelo Cânon 1556 o papa não pode ser julgado: o Direito Canônico não fala de deposição papal. Uma sentença declaratória é impossível, pois implica em prévio julgamento do papa. Logo, não perde o cargo.

Agora bem, Dom Mayer já havia omitido em sua exegese o n. 1 n. 1 e o n. 1 n.3 desse Cânon. O teólogo lefebvrista faz a mesma omissão. O n.3 estabelece: ‘’firmo praescripto Can. 188 n. 4’’. E este Cânon fala de ‘’ipso facto’’ em quanto a vacância, assim como o Cânon 2314 fala de ‘’ipso facto’’ em quanto a excomunhão e infâmia. E fala de ‘’sine ulla declaratione’’. E isto é de Direito divino, pois Inocêncio III infere o juízo de um papa das palavras de Cristo (Jo. 2,18): Quem não crê, ‘’já se mostra como julgado’’. E São Paulo agrega: ‘’condenado pelo juízo próprio’’ (Tit. 3,10).

Por conseguinte, os ‘’teólogos’’ da Fraternidade rechaçam a autoridade divina, subtraindo-a, cambiando-a por coisa meramante humana, ‘’ab-rogando-a’’ como quer o ‘’professor de teologia’’ de La Reja. O Apocalipse retira da vida eterna a quem faz tais ‘’diminuições das Escrituras’’ (Ap. 22,19). Não querem ver.

* * *

Desta subtração das leis da Igreja conclui o ‘’mestre’’ de Teologia que: ‘’por causa da excomunhão’’ uma pessoa deixa de membro da Igreja. Mas que nem ainda por isso perde seu cargo. Isso porque a incompatibilidade entre heresia e jurisdição ‘’não é absoluta’’, e por tanto, a heresia ‘’não elimina ipso facto e necessariamente a jurisdição’’. ‘’Enquanto não ocorra da deposição’’ (a qual ‘’só em aparência’’ escapa à imunidade judicial do papa), ‘’o herege e excomungado gozará de uma jurisdição válida, título precário, ainda que não possa exercê-la licitamente’’. A heresia elimina ‘’o fundamento da jurisdição’’, mas não a jurisdição mesma (p. 13). Elimina a condição de membro da Igreja, não o poder. Até aqui o ‘’teólogo’’. Nega o cânon 188, n. 4!

Agora bem, não se apresenta a citação dos ‘’autores que divergem’’ aqui do Magistério da Igreja. O ‘’mestre’’ de La Reja copia a Dom Mayer, sem nem sequer dizer o que faz. Então, os prelados são guias de si mesmos, são ‘’os autores’’ de suas doutrinas contra o que Leão XIII chamou ‘’absurdo’’, contra Inocêncio III que prova o ‘’fides mihi necessária est’’. Os prelados ensinam que não é necessária: ‘’não é absoluta’’ essa necessidade. Ela é o fundamento da jurisdição, mas ‘’sublata causa non tollitur effectus’’ [Acabada a causa não se acaba o efeito]. Vão contra a Metafísica. A contradição de que um herege, queira ou não queira, ao mesmo tempo e baixo o mesmo aspecto, os poderes sobrenaturais delimitados e definidos pela fé, é algo que estes ‘’teólogos’’ julgam possível: ‘’ab-rogam’’ não só o Direito divino (Jo. 3,18 – 1 Cor. 2,15), mas também a Ontologia e o princípio de não contradição das coisas.

A possibilidade metafísica, absoluta, de que Deus pode ter feito outra Igreja governada por alguma mula de Balaão, não é o que se discute.. Se trata da incompatibilidade física entre ser papa e não aderir a fé que define a existência e o poder papal. Nem sequer poderia Deus fazer a um papa qual a mula de Balaão, mera causa instrumental, e que fora herege público: Deus seria autor da heresia.

Se se coloca uma mera incompatibilidade moral no caso, a fé seria algo de mera conveniência para ser papa e então o herege poderia ser eleito papa e jamais perderia o cargo. Em que se basearia, pois, a ‘’possibilidade’’ de que Cristo mantenha a jurisdição em um herege? Em nada. Na ‘’prudência’’ pessoal dos dois Bispos contra prudência das leis divinas e da Igreja. Convertem a jurisdição ‘’ordinária’’ em delegada e habitual contra o Magistério do Vaticano I. Convertem a ‘’aplicação humana’’ do poder papal (Santo Tomás 2-2, 39,3), móvel, recebido por ‘’aceitação’’ e possível de ser perdido por ‘’renúncia’’, em uma aplicação permanente e imóvel por Direito divino, como o poder de ordem. Confundem ilicitude com invalidez, poder de jurisdição com exercício fático do poder de ordem.

b) Cânon 188.

Depois da inepta exegese do Cânon 2314, com sua falsa doutrina da ‘’imunidade judicial’’ do papa, ‘’por este motivo, ao comprovar a grande dificuldade, não só em provar a caída em heresia do Sumo Pontífice, senão também em demonstrar que por isto [pela heresia] haveria sido deposto, alguns autores intentam aplicar ao caso o Cânon 188, n. 4.’’ (p. 13), disse o lefebvrista.

Então, a ‘’causa’’ da aplicação da lei da Igreja é a ‘’dificuldade’’ subjetiva de ‘’alguns autores’’ em saber se um papa é ou não é católico, e em saber se, sendo não católico, perde o cargo. Agora bem, tal causa é tão inepta que, se valesse para o Cânon 2314, valeria também para o Cânon 188, n. 4. Se converta a ‘’aplicação’’ da lei da vacância a uma função subjetiva da ignorância de ‘’autores’’...

Se repete aqui a exegese inepta do Direito e da doutrina da Igreja. São quatro pontos que alegam para não aplicar também o Cânon 188 e defender assim o Hereticismo permanente, aquele mesmo que o próprio Dom Mayer afirmou que: ‘’a pratiquement contre elle la tradition unânime de I’Eglise’’ (p. 251). Eis aqui a que espécie de ‘’tradicionalismo’’ chegaram: negam ao Direito Público da igreja; o pervertem infielmente.

II. Hereticismo, sim; apostasia, não.

Argumenta o ‘’professor’’ de Teologia lefebvriano: ‘’Há atos cuja realização voluntária implica (...) o animo de renunciar, e que oferecem oportunidade ao mesmo direito para que aceite a renuncia’’ (p.13). Assim na ‘’interpretação correta e desapaixonada’’ do Cânon 188 a ‘’defecção pública na fé’’ não significa delito de heresia, mas sim de apostasia, ‘’abandono completo’’ e ‘’total’’ da fé (p.14). Isso porque o Canon 1325 n. 2 define a apostasia como: ‘’a fide christiana totaliter recedit’’. E o Cânon 2314, 3o havia de dar o nome a uma seita acatólica ou aderir publicamente a ela. Agora bem, - raciocina o ‘’teólogo’’ – este Cânon impõe a pena ‘’contra a vontade’’ do herege. Logo, o Cânon 188 significa a perda do cargo por ‘’ato voluntário’’, ‘’vontade de renunciar’’. Esta vontade se manifesta de modo tácito só nos demais casos do Cânon 188. Mas, neste caso de ‘’defecção na fé’’, a ‘’vontade de renunciar’’ não se manifesta pelo delito de heresia, senão somente pelo delito de apostasia. Nada pode declarar a renúncia do herege público sem que ele mesmo manifeste ‘’vontade de renunciar’’. ‘’Essa vacância deveria poder ser verificada por todo católico, por muito inculto que fosse. Entretanto essa demonstração não pode ser realizada por todo fiel de boa vontade, não podemos afirmar que nos encontramos no marco do Cânon 188.’’(p. 14). Muda-se o cânon. Muda-se o delito.

O autor supõe que a vontade pertinaz de heresia ou cisma não inclui a vontade de se excluir da Igreja ‘’suapte natura’’, isso é, ‘’pela natureza mesma’’ do delito. Vai contra Pio XII (Mystici Corporis). Separa a vontade de heresia ou cisma da vontade de se excluir da comunhão da fé. Supõe que na Igreja podem existir hereges e cismáticos. Só não admite apóstatas. Supõe a Igreja hereticista, ecumênica. Não sabe qual seja a ‘’natureza’’ do delito. O Cânon 2314 impõe pena ‘’ipso facto’’ pelos três delitos, queira-o ou não o delinqüente. O Concílio de Florença exclui da Igreja pelos três delitos. Pio XII ‘’separou’’ da Igreja pelos três delitos: heresia, apostasia, cisma.

Então, nosso ‘’mestre’’ em Teologia supõe que Lutero e Ario não estariam impedidos de ser eleitos papa e que si já o fossem não perderiam o cargo. Supõe, com os jansenistas, que é necessário um ‘’exame pessoal’’ do delinqüente contra o que ensinou Pio VI sobre as sentenças ‘’ipso facto’’ (D. 1547). Supor que o feito causador da perda do cargo não é o delito em sí, de heresia ou cisma. Vai contra o Direito divino que fala do ‘’haereticum hominem’’ como condenado (Tit. 3,10) e contra Cristo que afirma que já está condenado simplesmente ‘’quem não crê’’(Jo. 8,18)

A que ponto baixou a Teologia nos Seminários lefebvrianos! Depois disto, nosso Professo de Teologia deveria ser deposto sumariamente por defender o hereticismo livre dentro da Igreja. O pior é que ambos os bispos aderem a Igreja ‘’imperfeita’’.

III. Sem notoriedade não há juridicidade.

Outra inépcia contra o Cânon 188 é a noção de juridicidade dos delitos. Se não foram ‘’notórios e publicamente divulgados’’ os delitos públicos não tem juridicidade ‘’consumada’’ e por tanto não têm efeitos jurídicos. Mas qual é o ‘’grau’’ de notoriedade para a existência da juridicidade do delito? "Os autores", segundo eles, apelam a uma ‘’casuística extensa e complicada’’, segundo as circunstancias, ‘’a insuficiência de notoriedade’’ do delito sendo a causa pela qual o herege público continua sendo papa válido. E pergunta: ‘’quem emitirá o juízo sobre a matéria e formalidade de sua heresia?’’(p.13). Não responde.

Agora bem, segundo tal ciência ‘’jurídica’’ de Dom Mayer, copiada mecanicamente pelo Professor do Seminário, a maioria dos delitos do mundo não tem ‘’juridicidade consumada’’, já que não são delitos ‘’notórios’’ de fato. Sucede que jamais um advogado de defesa no Direito Penal alegou tal argumento para provar a inocência de seus clientes. Se a Igreja é uma sociedade visível, ela julga coisas manifestas objetivamente e não segundo a notoriedade do fato ante o ‘’grande público’’, sem leis universais e só segundo a ‘’casuística’’.

E nosso teólogo, como vimos, quer que todos, até os mais incultos, possam comprovar com sua falta de ciência, democraticamente, a vontade de separar-se da Igreja. Eis aqui a contradição de quem nega o juízo ao papa por ‘’imunidade judicial’’ (p. 13) e afirma o juízo popular sobre ele por ‘’todo fiel de boa vontade’’ (p. 14). Ele é de má vontade!

Mas, ‘’quem julga’’ a formalidade da heresia? A interrogação fica sem resposta. Nenhuma definição legal de delito exige a notoriedade fática do mesmo para ser um fato [feito] jurídico. Nosso ‘’jurista’’ confunde fato jurídico, que se enquadra na definição de um conceito de delito, com ‘’ato’’ jurídico para o qual a lei determina certa forma condicionante para dar-lhe validez ( ex. casamento, testamento...). Tal doutrina, fora ser uma aberração jurídica, vai contra a doutrina de Pio VI sobre o ‘’efeito atual’’ das sentenças ‘’ipso facto’’, sem ‘’exame pessoal’’ do delinqüente. É ‘’injuriosa ao poder da Igreja’’. Anula as sentenças ‘’ipso facto’’ (D. 1547). É o que quer o lefebvrista.

IV. O Direito da Igreja vai contra o Direito Divino.

Tudo vale contra o Cânon 188, n. 4. A exegese extensiva da Oração de Cristo por Pedro já foi alegada para negar que o papa possa ser herege.

Agora, na hipótese concedida de que possa ser herege, volta essa exegese da Oração de Cristo para manter o herege no cargo. Bellarmino e seu fiel escudeiro Billot são chamados de novo para ajudar a nosso teólogo, só que agora contra o cânon 188, n. 4. O teólogo lefebvrista faz então falar a Bellarmino contra Bellarmino e a Billot contra Billot, por quanto ambos, ‘’na hipótese de que o papa possa ser herético’’ (apud Dom Mayer, p. 241) defendem sem vacilação a sentença da perda do cargo ‘’ipso facto’’, como a sentença ‘’justa’’.

Mas, nosso professor de La Reja, vai buscar a Bellarmino de novo na sentença ‘’não certa’’, e diz que, como os termos do Cânon 188: ‘’a fide catholica publice defecerit’’, são semelhantes ao do Direito divino ‘’ut fides tua non deficiat’’ (Lc. 22,32), por isso, segundo Billot, a infalibilidade papal ‘’se estende também por uma certa necessidade, a pessoa privada do Pontífice’’(p. 14). Assim, se exclui por ela inclusive a heresia oculta e interna como possível de coexistir com o cargo papal. É a exegese ‘’extensiva’’ dessa Oração, que o Vaticano I não ratificou.

Agora bem, Pio IX ‘’confirmou com a plenitude da autoridade apostólica’’ (D.S. 3112) a exegese do episcopado alemão sobre a Infalibilidade papal, não como extensiva, mas como ‘’restringida a propriedade do Magistério supremo papal’’ (D.S. 3116). E assim [da forma extensiva] a entendem inclusive os dois prelados ao admitir o Hereticismo, a Igreja ‘’pecadora’’ e ‘’imperfeita’’. E o mesmo ‘’teólogo’’, ao admitir papas que ‘’aceitam uma formula não totalmente ortodoxa’’ (p. 15), se contradiz, pois nega nominalmente o herege pertinaz no erro, ao que de fato admite a afirmar que a heresia não retira a jurisdição.

’Nada pode beneficiar-se de sua malícia’’ disse o Direito, usando ora a ‘’extensão’’ da infalibilidade contra este Cânon, ora a não extensão da mesma para afirmar o Hereticismo. Só o Modernismo tem dupla face. Há contradição entre ser herege público e confirmador público da fé; mas, não existe incompatibilidade ente herege oculto e fiel publico. Estamos somente na ordem visível e manifesta da Igreja. Nela é contradição ser herege público e confirmador na fé.

‘’Quousque tendem abutere patientia nostra?’’ Que ‘’Igreja’’ é está que coloca o Direito Público tradicional e infalível do Cânon 188 contra o Direito divino da Oração de Cristo? Que ‘’tradicionalismo’’ é este contra a Tradição? O ‘’juízo próprio’’ do herege prevalece sobre toda doutrina e lei da Igreja nesta verborragia destituída dos critérios da fé.

V. É possível um papa válido não ortodoxo.

Passando da péssima doutrina a interpretação de acontecimentos singulares concretos, o Professor de Teologia induz o seguinte:

a) Um papa ‘’pode favorecer a ruína da Igreja e a propagação da heresia, e inclusive aceitar uma forma não totalmente ortodoxa’’, sem perder o cargo (p. 15). Ocorreu isso com Libério.

b) O papa não perde o cargo ‘’ipso facto’’, porque ninguém pensou que Honório o perdeu deste modo (p. 15).

c) O papa pode errar em matéria de fé não definida (e enquanto ao Magistério ordinário e universal), como João XXII (p. 16).

d)Um bom teólogo e grande santo pode errar de boa fé, com boa intenção, como no Grande Cisma do Ocidente (p. 16).

e) Se pode celebrar a missa ‘’uma cum’’ um herege ou cismático, porque São Vicente Ferrer assim celebrou com relação aos papas Clemente VII e Bento XIII (p. 16).

* * *

Agora bem, o Direito da Igreja não vem de fatos [acontecimentos] concretos, senão do Direito divino interpretado pelo Magistério. É doutrina condenada pensar que o Direito consiste no direito material e que todos os fatos [acontecimentos] têm força de Direito (Pio IX – D.S. 2959). Nosso teólogo, todavia, além disto, passa dos acontecimentos de simples errantes acidentais a casos de hereges pertinazes em décadas no erro.

Sofisma! Nada nega que fora do Magistério supremo possa um papa errar acidentalmente, por curto tempo. Não é essa, entretanto, a definição de herege ‘’ex parte subjecti’’. Vejamos os ‘’casos’’ e as conclusões do teólogo lefebvriano:

a) No caso de Libério é inepto falar de ‘’forma não totalmente ortodoxa’’ ‘’ex parte materiae’’. Não existe termo médio entre verdade e falsidade. A equivocidade não é doutrina católica. Então, passa o teólogo da parte do sujeito, do ato de ‘’aceitar’’, de aderir com vontade de modo pertinaz ao erro, ao direito de aderir a doutrina ‘’não ortodoxa’’. Infere o ‘’direito’’ a liberdade religiosa para não seguir a verdade, senão o erro.

No caso da pessoa, se existe duvida se é mero errante ou herege, o Cânon 2315 dirime a questão de fato. Mas, de modo algum se pode inferir daqui o direito de heterodoxia parcial dentro da Igreja. ‘’A virtude sobrenatural da fé possui como causa formal a autoridade de Deus revelante [do Deus revelado] e não pode sofrer nenhuma distinção como esta.’’, isto é, admitir que ‘’formulas’’ não ortodoxas sejam admissíveis por direito na Igreja, livremente. Santo Hilário, São Jerônimo e Santo Eusébio julgaram Libério herético. O Magistério evoluiu depois de Libério. O Direito da Igreja é hoje explicito.

b) A heresia de Honório se tornou pública só depois de sua morte. Sérgio participava dela e não a denunciou como tal. Inclusive João IV entretanto tinha a Honório como de ‘’santa recordação’’ e a Sérgio ‘’de reverenda memória’’ (D.S. 496). Mas, Martinho I já ensina no Sínodo Lateranense (ano 649) que os hereges não tem jurisdição (D.S. 520). Assim, os Patriarcas que estavam ‘’uma cum’’ Honório, foram excomungados ‘’uma cum’’ Honório no VI Concílio Ecumênico por São Leão II.

c) A conclusão do teólogo sobre poder ‘’errar’’ em matéria não definida não discrimina entre erro e heresia. Erro é uma heresia material; mas a formalidade da heresia está na pessoa consciente do erro, que não faz desaparecer as causas de [da] suspeita.

Em quanto o Magistério ‘’ordinário e universal’’ da Igreja, ainda não definido, é matéria ‘’credenda’’ (D.S. 3011). O papa mesmo ‘’est ligatum ad doctrinam in S. Scriptura et in Traditione contentam’’ (D.S. 3116). Ele pode explicitá-la, defini-la, mas sempre ’'in eodem sensu'' da Tradição e jamais em sentido oposto. Se na Tradição existisse erro, ’erroris in homine ipsum esse auctorem Deum’’, ‘’quod aperte repugnat’’ [‘’Do erro do homem seria Deus o autor mesmo’’, ‘’o que repugna claramente’’] (Leão XIII – D.S. 3305). Eis aqui a contradição da Igreja ‘’imperfeita’’ e de credos não ortodoxos do lefebvrista: Deus seria o autor dos erros.

d) Ninguém nega a possibilidade de erro acidental, de boa fé, com boa intenção, nos teólogos e Santos do chamado Grande Cisma do Ocidente. Neste caso, não existia, como hoje, heresia pública por parte dos papas nem cisma formal por parte dos súditos. Existiam papas duvidosos. E vem ao caso mostrar contra o sentido da ‘’imunidade judicial’’, que os papas cismáticos podem ser julgados pela Igreja e afirmados ‘’ipso facto’’ e ‘’ipso jure’’ privados do cargo. Assim, na 37a sessão do Concílio de Constância, foi condenado Benedito XIII como:

‘’Schismaticum et haereticum, a fide devium et articuli fidei Unan Sanctam Ecclesiae Catholicae violatorem pertinacem (...), a Deo eiectum et praecisum et omni iure eidem in papatu (...) ipso iure privatum’’.

Hoje, essas notas da Igreja ‘’unam sactam’’ são igualmente violadas por Mons. Lefebvre e Mons. de Castro Mayer com a defesa do Hereticismo, da Igreja ‘’imperfeita’’ e ‘’pecadora’’.

e) Assim, sim São Vicente Ferrer celebrou missas ‘’uma cum’’ papas cismáticos, o que fez por erro acidental e se corrigiu depois. E, o fato não autoriza a defesa do direito de errar, de ter por ‘’válido’’ um papa de credo ‘’não totalmente ortodoxo’’. Hoje, os ‘’tradicionalistas’’ se dizem ‘’conscientes’’ dos ‘’erros’’ doutrinários de Roma, pertinazes durante décadas, e pretendem que ‘’nem por isso’’ ele perde o cargo: querem manter o poder em um não membro da Igreja, a pesar do delito público em matéria de fé. As missas ‘’uma cum’’ um papa não membro da Igreja são iguais a das dos patriarcas orientais Sérgio, Ciro, Pirro, Pedro, Paulo e Macário, que estavam ‘’uma cum’’ Honório I. Foram excomungados com o papa. Não basta ‘’resistir’’ em nome próprio.

Se conclui, pois, que o sacerdote lefebvriano depois de começar com ‘’opiniões’’ duvidosas de ‘’autores’’ que escolheu, acabou defendendo como ‘’certa’’ a Igreja hereticista, pecadora, imperfeita. Tertuliano acusa de ‘’fraudulenta’’ essa duvida do sacerdote lefebvriano.

A DEFESA DA IGREJA HERETICISTA - parte II

b) Juízo de autoridade e juízo de razão

Diz o teólogo: a) São Paulo não julgou a Pedro no que concerne a sua autoridade de regime; b) nem um papa pode julgar outro papa; c) Cristo não julgou que seriam hereges os últimos papas.

Agora bem: a) São Paulo não julgou a Pedro "in auctoritate regiminis" como Superior. Mas julgou a Pedro em matéria de fé, [naquilo que era referente à] "verdade do Evangelho". Logo, é falso o sentido da "imunidade judicial"(p. 11). O "cum vidissem quod non recte ambularent ad veritatem Evangelii" é um juízo de Paulo sobre os atos de um papa em matéria de fé, ainda que Pedro não tenha sido herético, senão um simples errante acidental, por falta de intenção e de obstinação no erro (Gal 2,14). Logo, a exegese do teólogo vai contra São Tomás(p. 15) e os Evangelhos.

São Paulo mesmo ensina: "Quem os conturba, quem quer que seja, será julgado". (Gal 5,10). Em caso de delito contra a fé, ordena ao anátema incluso aos superiores (os anjos) ou iguais (os Apóstolos) (Gal 1,8-9). Ele mostra duas resistências: uma lícita, em matéria de fé: "in faciem ei restiti" (Gal 2,11), e outra ilícita, em matéria disciplinar: "qui resistit potestati, Dei ordinatione resistit" (Rom 13,2). Os prelados, com o pretexto de não julgarem um papa "errante", não julgam o herege mas sim o julgam em matéria disciplinar, considerando ao herético um papa verdadeiro e "válido".

É falso o item b) que um papa não pode julgar outro papa, seu predecessor, por delito contra a fé. O teólogo vai aí contra o Magistério da Igreja, alegando que o Direito Canônico (sic) e a Tradição não o permitem dado que "par in parem potestatem non habet" (p.12).

Mas vejamos que São Tomás mostra que São Paulo, em Gálatas 1,8-9, mostrou o dever de julgar e anatematizar "etiam in pares"; "também contra os iguais como são os apóstolos", e mesmo contra os superiores(Comentário Gal; cap 3, n.3ss). Nosso "teólogo" então se faz juiz de São Leão II, como já o fizeram também os membros da Fraternidade (cf. "Sim, Sim, Não, Não"; 15/11/88), julgando ao pontífice como "injusto" e "censurável", "não menos que Honório I". Quanta infidelidade!

É falso o item c), que [diz que] Cristo não tenha julgado os papas que sejam hereges (p.12). Veremos adiante como Inocêncio III faz uma exegese do Direito Divino: "Quem não crê já está condenado" (Jo 3,18). E São Paulo completa: "dado que está condenado por seu próprio juízo" (Tit 3,10). Logo, a exegese do "teólogo" da Fraternidade não é a da Igreja.

C. Destruição da Tradição e do Magistério Católico - O "tradicionalista" procura destruir as doutrinas de papas e os fatos da condenação de papas como hereges ou como cismáticos , por juízos particulares ou por Concílios da Igreja. Não é esse o caminho católico. Não defende a Tradição.

a) Magistério Doutrinário sobre o direito de julgar um papa

I. Sermão de Inocêncio III ("in Consecratione Pontificis" P.L. t.27, col.656-672)

O sacerdote cita uma exegese de Billot sobre esse sermão (p.11) sem dizer entretanto que Billot aí seguia outra exegese de Bellarmino sobre a Oração de Cristo por Pedro, que neste caso o Santo Doutor deu como "incerta" nessa época e que, de fato, não foi confirmada pelo Vaticano I. Não tem valor a criteriologia da fé contrapor Billot a Inocêncio III e ao Vaticano I. O grande Pontífice medieval faz nesse sermão a mesma exegese da Oração de Cristo que posteriormente fará o Vaticano I: restringe os efeitos da Oração de Cristo à infalibilidade papal em quanto cargo papal, não enquanto à pessoa sem o magistério supremo. Eis aqui o texto relativo ao cargo e à Oração de Cristo:
"A não ser que estivesse consolidado na fé, como poderia consolidar aos demais? O Que é sabido pertencer principalmente ao meu cargo (ad officium meum), pelo testemunho do Senhor: "Orei para que tua fé não desfaleça..." (Lc 22) (...). Por tanto, a fé da Sede Apostólica (fides Apostolicae Sedis) jamais desfaleceu em nenhuma turbação, mas permaneceu íntegra e incólume para que o privilégio de Pedro (Petri privilegium) permanecesse inquebrantável."

Eis aí a exegese da Oração de Cristo, É a que o Vaticano I confirmou. Ela contradiz a Igreja "pecadora" e "imperfeita" de Mons.Lefebvre e dos hereticistas. Logo segue o texto atinente à pessoa do papa. Convém citá-lo no original:
"In tantum enim fides mihi necessária est ut, cum de caeteris peccatis solum Deum iudicem habeam, propter solum Deum iudicem habeam, propter solum peccatum quod in fide committitur, possem ab Ecclesia iudicari. Nam, qui non credit, iam iudicatus est (Joan. 3). Credo quidem et certissime credo quod catholice credam, confidens quod fides mea debeat me salvare..." (Efeitivamente, a fé me é de tal modo necessária que, enquanto com relação aos outros pecados somente a Deus tenho como juiz, unicamente no pecado em que se comete em matéria de fé eu poderia ser julgado pela Igreja. Pois quem não crê já está julgado (João 3). Creio, é certo, e certamente creio que crerei catolicamente, confiando que minha fé me há de salvar...)
No mesmo sermão todavia, diz mais adiante:

"Potest [Pontifex] ab hominus iudicare vel potius iudicatus ostendi si videlicet evanescat in haeresim, quoniam qui non credit iam iudicatus ets" (O Pontífice pode ser julgado pelos homens, ou melhor, ser mostrado como já julgado, a saber, se se corrompe na heresia, porque quem não crê já está julgado).
Portanto, ali o Pontífice se refere a si mesmo como pessoa privada (mihi, me) capaz de salvar-se ou perder-se por delito contra a fé. Isso, por tanto, não se refere à infalibilidade do papa enquanto papa. Diz com precisão a matéria do delito no qual pode ser julgado: "in fide", e nos quais não pode sê-lo: "In caeteris peccatis". Eis aí a contradição do agir dos lefebvreanos que não julgam "in fide" e julgam sobre a "justiça" do papa.

A palavra de Billot, neste caso, é algo de tal maneira "leviter dictum" que nos faz suspeitar se sequer o teólogo teria lido o texto integral; por meio dele, ele(o teólogo) converteu o sermão em favor da opinião "extensiva" sobre os efeitos da Oração de Cristo: Inocêncio III havia aludido ao pecado contra a fé como uma "hipótese impossível", "si per impossibilem" isso acontecesse.

Vejamos bem; tal exegese contradiz os contextos internos: não necessitaria o papa provar a "necessidade da fé para si mesmo" se julgasse impossível perdê-la enquanto pessoa. A impossibilidade seria relativa ao cargo e a esta já havia sido provada pela Oração de Cristo. Não se nivelaria com os demais afirmando que "quem não crê já está condenado", se a infalibilidade do cargo fosse assegurada somente de modo condicional, o que vai contra a fé. A possibilidade de "iudicari ab Ecclesia" seria uma possibilidade contra o dogma que nega que a sede de Pedro possa ser julgada na Terra. Por conseguinte, esse juízo está pendente somente ao fato do delito (ipso facto) e à matéria do delito (in fide). O próprio sermão expõe pela segunda vez a causa da possibilidade de tal julgamento "ab hominibus" e a natureza de tal juízo pelo Direito Divino: "ser manifesto como julgado" (ostendi iudicatus) se "desfalecer na fé". Como se diz em outra parte: "Non potest exui iam nudatus": quem já está nu não pode ser desnudado.

Tal exegese contradiz também aos contextos externos que antes e depois de Inocêncio III exibem a mesma doutrina desde o século VI até Alexandre VII em 1665. E os atos da Igreja a supõe desde os remotos séculos do arianismo.


II. O Concílio Romano do ano 503

Há muitos séculos antes, este Concílio, ao tratar sobre a ortodoxia de São Símaco, traía a cláusula restritiva sobre o não julgamento do papa: "nisi a recta fide exorbitaverit" (Harduinus, t.2, col.984). "Cette doctrine ut recue et confirmée par tout lê Mouyen âge" (Dic. De Théol. Catholique: La Déposition des Papes, col.519).

Nas atas do VIII Concílio de Constantinopla, o papa Adriano II recorda a doutrina do não-julgamento de um papa, mas considera a exceção:
"É verdade que Honório, depois de sua morte, foi anatematizado pelos
Orientais, mas é necessário não esquecer que foi acusado de heresia, único crime que torna legítima a resistência dos inferiores para com os superiores, assim como o rechaço de suas doutrinas perniciosas"
(Alloc. III lecta in VIII Concilio, Act.7 – Harduinus, t.5, col.866)
E na profissão de Fé desse VIII Concílio, se pronunciava um novo "anathematizamus" contra Honório I. Bellarmino mesmo afirma que não é menos verdade que Adriano (II), com o Sínodo Romano e com o VIII Concílio geral inteiro entendia que se podia julgar ao Romano Pontífice em caso de heresia (De.Rom.Pontif., 1.2, c.30, p.418). São Yves de Chartres recorda esta doutrina ao Arcebispo de Lyon.

III. O Decreto de Graciano

Graciano, monge, recolheu (em 1140 ou 1150) 78 decretos papais, 105 cânones conciliares e 50 cânones apostólicos. Gregório XIII os reordenou. Eram bem conhecidos pelos canonistas dos séculos XII e XIII os dois cânones referentes ao papa herege:

Cânon Si Papa: "Que nenhum mortal pretenda acusar ao papa de falta, pois dado que a ele incumbido é julgar todos os homens, ninguém deveria julgá-lo, a menos que se aparte da fé" (P.L. Dist.40, c.6)
Atribuído a São Bonifácio, Arcebispo de Maguncia, é citado pelo cardeal Deusdedit falecido em 1087 e também por São Yves de Chartres:

"Hujus [papae] culpas istic redarguere praesumat nullus, quia cunctos ipse iudicaturus, a nemine est iudicandus, nisi deprehendatur a fide devius" (Decretum V,23 – Pars I, Dist.XL,c.6)
Outro Cânon de Graciano tem o mesmo sentido: um papa herege está destituído do cargo (Cap. Oves, C.13, c.2, q.7).

O tradicionalista se alça contra a Tradição: "Deve ser apócrifo" (p.12) em quanto a cláusula restritiva. "Não tem autoridade intrínseca" (p.12). Não formou parte das leis da Igreja, ou se o foi, foi abrogado pelo Direito Canônico de 1917, pois o Cânon 1556 não cita essa cláusula e o Cânon 6 abroga o que não é citado (p.11).

Agora bem, alguns "teólogos" pensam defender suas opiniões levantando suspeitas gratuitas contra os documentos históricos que se opõem a eles. Desse modo, se pode destruir toda a história da Igreja. É inepto negar "autoridade intrínseca" aos cânones porque Graciano é um simples monge. Dos documentos do Denzinger têm "autoridade intrínseca" pela fonte de onde eles provém. Se Graciano recolheu os documentos do Magistério e da Tradição, têm [os cânones] a autoridade deles [dos documentos do Magistério]. E a alternativa colocada pelo lefebvrista mostra a gratuidade das suas acusações. E a superficialidade da argumentação o faz "abrogar" o Direito Divino, subtraindo do Cânon 6 a exceção: "nisi sit iuris divini". Já vimos como Inocêncio III prova que o é [de direito divino] (Jo 3,18). E o Direito Canônico não trata diretamente do papa, senão universalmente dos cargos "constituídos por natureza divina ou humana". (Canon 145). E o cânone 188 n.4 é a cláusula restritiva.

Logo, quando fala de "qualquer cargo" (Cânon 188 n.4), forçosamente inclui o cargo papal. E a cláusula é também universalmente estendida "em quanto aos direitos" de qualquer "pessoa", dentro da Igreja. Elas existem "a não ser que obste algum óbice que impeça o vínculo da comunhão eclesiástica". (Cânon 87). Portanto, nosso canonista lefebvreano vai contra o Direito Divino e contra o Direito Canônico, "abrogando" tudo livremente... Está acima do papa e de Deus!!

* * *

Não desiste, e invoca a exegese de Bellarmino sobre o Cânon. Agora bem, Bellarmino nesse tempo, contra a opinião comum se inclina para opinião "incerta" da extensão da infalibilidade papal à pessoa privada do papa. Portanto, esta exegese de Bellarmino está feita sobre este contexto que o Magistério do Concílio Vaticano I não confirmou. Não é lícito, conseqüentemente, invocá-la hoje. Segundo lemos em Bellarmino, o sentido do canon, nesse contexto, seria "não que o papa possa errar como pessoa privada, senão que ele não possa ser julgado porque não é certo que ele possa ser herege. Seria uma cláusula "ad cautelam": a não ser que seja herege" (Opera Omnia, Vives, t.2, 1.4, c.7, p.88).

Assim, esta exegese de Bellarmino é inadmissível não só por ser uma opinião superada sobre os efeitos da Oração de Cristo, senão também porque deixaria o dogma do não-julgamento de um papa pendente de uma condição incerta, o que está contra todo o Magistério da Igreja. E não pode o lefebvrista valer-se desse argumento, pois ensina "o dever de desobedecer" um papa por delitos em matéria de fé.

* * *

A doutrina do Canon é a mesma do Concílio Romano de 503: "nisi a recta fide exorbitaverit"; é a mesma de Inocêncio III. "Ce principe est hors de doute", afirma o Dic. de Théol.Catholique. Mondeo escreve: "Uma tradição sólida no século VIII ensinava: um papa herege pode ser julgado por um Concílio" (La Dottrina Del Gaetano, pp. 25 e 164). Os canonistas dos séculos XII e XIII conheciam esses cânones. Yves de Chartres recorda estes cânones ao Arcebispo de Lyon, João. E o mesmo repete essa doutrina no caso de Pascoal II: "Não desejamos privar de seu poder das chaves principais da Igreja, quem quer que se sente na Sé de Pedro, a menos que se aparte manifestamente da verdade do Evangelho" (P.L. t.162, col.240).

É uma contradição de Mons. Lefebvre falar da "linha do realismo" para ver os fatos atuais dos papas, sem "fechar os olhos", mas fechando-os para os cânones da Igreja que estabelecem a vacância hoje, e nos séculos passados. A Lei da Igreja não é "opinião". O Magistério de Alexandre VII não é opinião (D.S. 2025).


IV. Paulo IV: Bula "Cum Ex Apostolatus Officio"

Esta Bula confirma indiscutivelmente a Tradição Católica sobre o fato de que "Prima Sedes a nemine iudicatur" e sobre o "caso único" (Adriano II) de exceção a esse princípio de Direito Divino.

A Bula ensina que o Romano Pontífice , que "omnes iudicat, a nemine in hoc saeculo iudicandus, possit, si deprehendatur a fide devius redargui". Confirma pois, o Decreto de Graciano e a exegese de Inocêncio III e o Sínodo Romano, de modo solene.

Os termos referentes ao delito: "si deprehendatur a fide devius", são os mesmos do Decreto de Graciano e do Concílio de Constança, ao condenar Bento XIII.

Antes de ser norma jurídica, a disposição contém a doutrina sobre os "falsos profetas". É, por conseguinte, universal, independente de quem seja o delinqüente. Antecede, pois, a norma penal e flui da "natureza" do delito que separa da Igreja (Pio XII, Mystici Corporis).

Por conseguinte, tem vigência, como ensina Paulo IV, "absque aliquo iuris aut facti ministerio", o que é repetido pelo cânon 188 n.4: "sine ulla declaratione".

Em conseqüência, é uma dosposição perene e perpétua na Igreja pelo [poder do] Direito Divino, e não por mero direito humano de um papa.

O Padre Ceriani, no entanto, se situa entre aqueles que, ao dizer desse Pontífice, "intelligentiam Scripturarum pervertentes", querem abrogar o Direito Divino, derrogá-lo à perpetuidade, destruir a Tradição e converter em uma "pena" o direito humano mutável que flui "ex natura" do delito contra a Fé e contra a unidade da Igreja.

Ele pretende "interpretar" a Tradição enquanto a destrói, convertendo-a "ad suos sensus", "suae prudentiae innixus".

Não é esse o caminho da fidelidade Católica.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A DEFESA DA IGREJA HERETICISTA - parte I

A DEFESA DA IGREJA HERETICISTA

· INTRODUÇÃO.

· Ia Parte: A AUSENCIA DOS CRITÉRIOS DA FÉ.

· IIa Parte: A DESTRUIÇÃO DOS CRITÉRIOS DE DISTINÇÃO ENTRE CATÓLICOS E HEREGES.

II.1. AUSENCIA DA CRITERIOLOGIA CATÓLICA SOBRE O SER ORTODOXO OU HEREGE.

A. A identificação de um católico.

B. Não se pode julgar.

C. A verdade infalível pode ser negada sem heresia.

II.2. NÃO EXISTE CRITÉRIO DE CONHECIMENTO DE QUE UM PAPA SEJA HEREGE.

A. Ignorância fingida sobre o herege.

B. Impossibilidade de julgar se alguém é papa católico ou herético.

a) A ontologia do poder e o exercício da autoridade.

b) Juízo de autoridade e juízo de razão.

C. Destruição da Tradição e do Magistério católico.

a) magistério doutrinário sobre o fato de julgar a um papa.

I. Sermão de Inocêncio III.

II. Concílio Romano do ano 503.

III. Drecreto de Graciano.

IV. Paulo IV: Bula ‘’Cum ex apostolatus officio’’

b) Magistério canônico sobre o juízo a um papa por heresia.

c) O juízo ao papa Libério.

d) Juízo a papas cismáticos.

III.3. É POSSIVEL UM PAPA HEREGE.

A. É somente uma ‘’questão divergente’’.

B. As leis da Igreja não impedem um papa herege.

I. Omissão das leis da Igreja.

a) Cânon 2314.

b)Cânon 188.

II. Hereticismo,sim; apostasia, não.

III. Sem notoriedade não há juridicidade.

IV. O direito da Igreja vai contra o direito divino.

V. É possível um papa válido não ortodoxo.

IIIa Parte: A ‘’IGREJA’’ CISMÁTICA E HERÉTICA DOS DOIS PRELADOS.

III.1. A INFALIBILIDADE DA OPINIÃO PESSOA.

III.2. NÃO DIVISÃO DOS ‘’CRISTÃOS’’.

III.3. O ‘’NON SERVIAM’ ENCUBERTO.

III.4. SUBSTITUIÇÃO DAS LEIS DA IGREJA POR OPINIÕES OPOSTAS DE DOIS BISPO.

A.M.D.G.V.M.

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CREDO ATANASIANO OU SIMBOLO ‘’QUICUMQUE’’.

Quem quiser se salvar, antes de tudo é mister que mantenha a fé católica; e que o que não a guardar íntegra e inviolada, sem duvida perecerá para sempre.

(...)

Esta é a fé católica e o que não crer fielmente e firmemente, não poderá salvar-se.

[Leiamos todo o Credo. Está disponível na Internet em diferentes versões, inclusive aqui neste blog, no post anterior. Essa era a introdução da maioria dos artigos da revista "ROMA"]

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Introdução

Aparentemente, Mons. Lefebvre e Mons. De Castro Mayer teriam levantado uma bandeira ortodoxa dentro da Igreja como Santo Atanásio: o "dever de defender a nossa Fé". No entanto, a definição desse dever, do modo de exercer essa defesa e a determinação da fé a ser defendida despertaram e despertam fundadas suspeitas sobre a ortodoxia dos prelados. A Criteriologia da Fé e da Moral parece não apenas ausente da pregação deles, mas também é contradita por eles. Em última instância, qualquer seita protestante subscreve esse "dever de defender nossa fé", mas dando a este um sentido inteiramente subjetivista e oposto à doutrina católica, acabando por defender uma "igreja" fundada no "juízo próprio" característico de todo "haereticum hominem" (Tito 3,10), e na "prudência própria" (Prov 3,5), que leva ao desprezo das normas prudenciais da Igreja Católica. Santo Atanásio não seguiu este caminho.

A "fé" defendida pelos dois bispos pretende conduzir os fiéis a crer numa Igreja "hereticista", aonde os papas e bispos podem ser hereges públicos, não "perfeitamente católicos", aderentes a credos "não totalmente ortodoxos". Para chegar a essa nova doutrina pretendem destruir totalmente os critérios da Fé e da Moral católicas, e enquanto advogam o "direito de desobedecer" as leis tradicionais da Igreja sobre os delitos de em matéria de fé, propõe o dever de seguí-los a eles mesmos, a suas opiniões que eles julgam ser "prudentes" e "sábias".

Já tivemos a oportunidade de refutar a doutrina hereticista de Mons. de Castro Mayer exposta na "La Nouvelle Messe" (sob o nome de Xavier da Silveira, então um jovem membro da T.F.P. de São Paulo). Refutamos também a defesa da doutrina de Mons. Lefebvre, feita por um certo "Hirpinus", no "Sim Sim Não Não" (nº 13, Julho de 1988 – ver: "ROMA" nº's 107 a 112). Agora, um membro da Fraternidade lefebvriana, o Pe. Ceriani, professor do Seminário de La Reja, Argentina, escreve: "Justificação Teológica e Jurídica da Atitude Prudencial de Mons. Lefebvre" ("Roma Aeterna", nº 112, Bs.As.,Dic.1989).

Como tal "justificação" nada possui de "teológica", nem de "jurídica", nem de "prudencial", deveremos prosseguir aqui com o exame dos argumentos dessas pessoas que pretendem substituir a natureza da Igreja "Unam Sanctam" por uma igreja "imperfeita" e "pecadora", e substituir a autoridade do Magistério Tradicional por meio das opiniões deles, sem discutir, porque isso seria "inútil" e "nocivo".

Não discutimos as intenções deles, nem as virtudes morais com que possam estar dotados diante do Senhor. Mas, quando se trata de questões da doutrina da fé, assim como eles dizem "resistir" aos "erros" da "autoridade" e aos "atos de Roma", assim também temos o dever de resistir aos erros e atos que vêm de Ecône e Campos. "Meu povo pereceu porque não tinha o conhecimento" (Oséias 4,1.6). "Uma santidade rústica pode ser útil a alguém e mesmo [conseguir] edificar a Igreja; mas pode também daná-la se não sabe resistir aos que vêm para destruí-la" (São Jerônimo, Carta ao Presbítero Paulino). Quantos "místicos" caíram na heterodoxia por haver desprezado a razão e a Teologia dogmática? Eckhart, Miguel de Molinos… O lionês Pedro Valdo começou a pregar a pobreza como mandamento de Deus e não como conselho de perfeição. O austero padre de Saint-Cyran (1581-1643) pregou contra a "dilectio humana licita" (D. 1524 – DS. 2624) como coisa pecaminosa. Honório I apoiou a "prudência" e a "circunspeção" de Sérgio, proibindo de pregar a fé.

Iª Parte: A AUSÊNCIA DOS CRITÉRIOS DA FÉ

O membro da Fraternidade pretende "justificar" a opinião pessoal dos dois prelados. Contudo, se analisamos os discursos de Mons. Lefebvre, veremos como ali é total a ausência dos critérios da fé sobre as questões essenciais do momento: os delitos contra a fé, e a autoridade de um papa incurso em heresia. Ele deixa de lado a "Lógica" e a "Teologia teórica" e propõe uma moral relativista.

Se cita o "estudo muito objetivo" de Mons. Castro Mayer no qual não se vê senão um "desfile fenomênico de opiniões". Dom Mayer nem sequer cita ao Concílio Vaticano I, nem às encíclicas e Constituições Apostólicas posteriores ao século XVI e adere ao relativismo: "Essa questão não pode ter uma resposta definitiva senão em função das circunstâncias concretas" (p. 280). A questão ontológica do ser ou não ser papa dependeria não do delito e da vontade do papa, senão de fatos periféricos e juízos subjetivos. As leis da Igreja sobre o tema são ali relativizadas e reduzidas a opiniões. Os argumentos de Bellarmino não são ali cotejados [juntamente] com a Razão e o Magistério, senão que também é colocado como simples opinante e depois o contradiz. Um padre de Campos chegou inclusive a propor que "não se deve questionar a existência da missão canônica porque em tempo de guerra os tanques podem circular na contramão". Na "justificação" do P. Ceriani tudo não passa de meras "opiniões de autores", entre as quais os "tradicionalistas" escolhem livremente as próprias. Estamos pois reduzidos a um desfile de incertezas e "hipóteses" na Criteriologia da fé e do agir.

O "certo" é o "dever de defender a nossa fé", "toujours d'accord avec les sermons de Monseigneur", como declarou um superior lefebvriano; seguir a "prudência" pessoal deles em vez das leis tradicionais da Igreja e do seu Magistério. O "não polemizar" subscrito por Mons. Lefebvre e o Cardeal Ratzinger é o centro do novo credo da Fraternidade: é "inútil" e "nocivo", diz o autor. A fidelidade à fé e substituída pela fidelidade a homens falíveis e errôneos.

IIª Parte: A DESTRUIÇÃO DOS CRITÉRIOS DE DISTINÇÃO

ENTRE OS CATÓLICOS E OS HEREGES

II.1. AUSÊNCIA DA CRITERIOLOGIA CATÓLICA SOBRE O SER ORTODOXO OU HEREGE.

A. A identificação de um católico. A primeira pergunta de um catecismo católico, o de Mons. Cauly, por exemplo, é "Que é um cristão?" Responde: "É aquele que é batizado, que crê e professa a doutrina e a lei de Jesus Cristo".

Nosso teólogo, todavia, expressa "dificuldade" para saber se alguém é católico ou herético: "não é fácil", afirma. E, não obstante, não diz absolutamente nada a respeito da própria pessoa a ser identificada como católica ou herética; somente vê desde a posição dos outros que julgam e da doutrina.

No entanto, a Igreja nos diz que o Símbolo da Fé é "o sinal que distingue aos cristãos dos infiéis". Para "ser" cristão é necessário "admitir como verdade tudo o que ensina a doutrina cristã", "praticar o que ela manda". A doutrina cristã é "proposta pela Igreja por meio de seus pastores". E ela está "no ensinamento tradicional da Igreja". Ela contém "verdades que devemos crer" e "deveres que temos de cumprir".

Então, nosso teólogo, para saber se alguém é católico ou herege, não observa se a pessoa professa inequivocamente o Credo e se submete às leis cristãs. Observa que os juízos dos demais e tergiversa a doutrina. Em questão do "ser" não olha ao "sujeito" da forma católica ou herética. Não é da doutrina cristã tal caminho.

B. Não se pode julgar. Alega o teólogo: "não é qualquer um que pode julgar (...) no foro externo" (p.8). Então vejamos, o teólogo aí quer eliminar a razão sobre a identidade dos credos e substituí-lo universalmente pelo juízo de autoridade. Incide no fideísmo que elimina os preâmbulos racionais da fé. "O uso da razão precede a fé", ensinou a Igreja a Bautain (D. 1626 – DS. 2755). Se Mons. Lefebvre quer deixar de lado a Lógica, deixa de lado aos preâmbulos racionais da fé e leva a uma crença cega em seu agir "prudencial". Quem identifica o cristão, quem reconhece a verdadeira Igreja sem julgar as notas de unidade e santidade da Igreja: unidade de fé e de regime? Nicolau I ensina que "a fé é universal, comum a todos, clérigos e leigos, pertence a todos os cristãos" (D. 331 – DS. 639). Todos estão "unidos à Tradição, às Escrituras, às definições já proferidas pelo Magistério Eclesiástico" (DS. 3116).

Portanto, nosso teólogo contradiz a Igreja, ao Magistério. Contradiz o próprio Dom Mayer que fala no "direito de que goza todo fiel" de fazer tal juízo (p.272). E inclusive se contradiz a si mesmo quando pretende que a vacância pelo cânone 188 "deveria poder ser verificada por todo católico, por muito inculto que fosse, quando se tratasse de defecção pública da fé católica" (p.14). Logo, a "dificuldade" tem fins contra a fé.

C. A verdade infalível pode ser negada sem heresia. Diz o teólogo: "A Igreja não ensina (…) que seja herege aquele que nega o definido ou proposto como verdade infalível (…). Para que a heresia seja castigada com uma pena canônica, deve constituir um delito, isto é, 'a violação externa e moralmente imputável de uma lei que leva anexa uma sanção canônica' (can. 2195)" (p.8)

Agora bem, tal "dificuldade" significa reconhecer que os dois prelados e seus seguidores se apartam do que a Igreja ensina ou ordena de modo infalível para opor a esta o juízo próprio falível. É irrelevante a objeção, porque se não é herético é cismático. E é também irrelevante, porque os dois prelados acusam aos papas de apartar-se da doutrina da fé, ainda que pretendam dizer que não os obedecem nos casos quando os papas não observam a Justiça no exercício do poder. E a heresia se distingue da "pena canônica". E todo herege é excomungado "ipso facto".

Ao definir a infalibilidade pontifícia o Vaticano I não falou em matéria [de] "credendam" senão em matéria [de] "tenendam" (D. 1839). Logo, existe o dever de manter toda matéria infalível, seja ela diretamente revelada ou necessariamente conexa com a Revelação. Por isso, Bento XIV afirma que é "sapientem haeresim" o não aceitar a verdade sobre a canonização de um santo (De Canoniz. Sanctorum, 1.1,c.42,n.3). Santo Tomás ensina que se deve evangelizar [tanto] "o implícito [como] o explícito" na Revelação (In Gal. 1,6; n.27). Assim, Pio XII ensina que "defecciona na fé" quem nega a Assunção de Nossa Senhora, verdade implícita na Revelação. E Santo Tomás afirma que "sempre é herético aquele que erra sobre as coisas referentes ao fim da vida humana" (In Tit. 3,10, n.102). Assim pois, apartar a razão, os preâmbulos racionais da fé, ensinar o modernismo, o liberalismo, é cair em heresia. A doutrina de nosso teólogo, portanto, pretende legitimar, "justificar" ao herege dentro da Igreja. Ele omite no cânone 2195 as palavras "saltem indeterminata" (ao menos indeterminada) em quanto às penas. E o ser do herege não é questão de "penas". É anterior a elas.

II.2. NÃO EXISTE CRITÉRIO DE CONHECIMENTO DE QUE UM PAPA SEJA HEREGE

A. Ignorância fingida sobre o herege. Da "dificuldade" de distinção entre o católico e o herege passa o sacerdote à negação da certeza sobre se um papa é católico ou herético. A criteriologia da fé é novamente mutilada por opiniões e pela destruição do Magistério tradicional.

Agora bem, Tertuliano em sua "Prescrição contra os hereges" mostra o caráter fraudulento desta dúvida: "Para quê serve escutar a gente todavia em busca da Verdade... que nada encontrou de certo... que mostra sua incerteza? Se alguém busca a verdade e dirige sua dúvida para a deles, será um cego guiando outro cego, levado por ele ao precipício. Para inculcarem-nos seus escritos fingem estar em dúvida...; mas quando estão em contato conosco, passam a advogar o que antes diziam estar investigando... Renegam a fé antes de defender a fé... Que fé podem discutir se se aproximam de nós fraudulentamente?"

É o modo lefebvriano de "defender nossa fé", aproximando-se de nós simulando dúvidas e depois defendendo a opinião pessoal contra o Magistério. Assim, diz o sacerdote: "existem divergências entre os autores", "a questão é muito discutida". Uns admitem que o papa "pode ser" herege somente como pessoa privada. Bellarmino julga mais apropriado que não possa sê-lo. Ele é "o lugar obrigatório de consulta e argumentação" (p.11).

Mas vejamos: aonde ficam os fatos nessa argumentação? "Ab esse ad posse valet illatio" (É válida a inferência do 'ser' ao 'poder ser'). Ninguém pode discutir se alguém "pode ser" algo quando se tem a evidência de que ele é tal coisa. E ser ou não católico ou herético é questão de fatos, de professar ou não um credo integral. É um sofisma grosseiro o fazer de uma questão objetiva uma simples questão de opinião "divergente" ou "discutida" porque alguns subjetivamente elevaram as suas dúvidas sobre ela. Por tal argumentação capciosa todas as verdades da razão e da fé seriam, sem exceção, questões controvertidas e incertas. Não existe nem um só que algum herege não tenha negado.

Aonde está o "criterium fidei" desta doutrina? Aonde a crítica racional? O mesmo critério que vale para comprovar se alguém é católico, vale também para comprovar se uma pessoa que é papa o é[isto é: é católico]: [pois] ele também está ligado às mesmas verdades (D.S. 3116)

Que diferença há se a pessoa do papa só pode cair em heresia "como pessoa privada"? Se não é membro da Igreja, declina do pontificado. Que diferença faz a opinião de Bellarmino, se ele mesmo a classificou como "não certa" e se ela não foi confirmada pelo [Concílio] Vaticano I quando fez uma exegese não extensiva da oração de Cristo por Pedro? (cf. Lc 22,32; cit. in D.1986 – D.S. 3070)

Eis aqui o modo fraudulento dessa "dificuldade": é o mesmo sacerdote que prega que o papa "pode (...) aceitar uma fórmula não totalmente ortodoxa" sem perder o cargo (p. 15). Se esta aceitação é pertinaz o se a simples dúvida é pertinaz, a definição de herege já está verificada. Então negam ou duvidam nominalmente o que aceitam realmente.

Certamente, se nega que o papa possa ser herege e simultaneamente papa, coisa que Dom Mayer e os eufemismos de Mons. Lefebvre e seus sequazes hereticamente admitem com o Hereticismo confessado. Mas para ocultar melhor essa doutrina monstruosa, lançam primeiro a dúvida subjetiva, sem fundamento, seja sobre a doutrina da Igreja, seja sobre os fatos, contra a sentença tradicional da Igreja.

B. Impossibilidade de julgar se alguém é papa católico ou herético. Afirma o sacerdote da Fraternidade: "Ninguém pode concluir de direito que o papa seja formalmente herege sem emitir um juízo que só pertence a Deus(...). Não se pode provar que os últimos pontífices sejam hereges formais, por falta de declaração do seu superior, Cristo Nosso Senhor" (p. 12).

Agora bem, "adhuc vos sine intellectu estis?" Vejamos os argumentos do teólogo:

a) A Ontologia do poder e o Exercício da autoridade

Alega o sacerdote a "imunidade judicial"(p. 11) do papa a fim de concluir a impossibilidade de saber se um papa é católico ou herege, independentemente da questão anterior de se "pode ser". Antes a questão era objetivamente ignorada; agora a questão é subjetivamente impossível de ser conhecida.

O teólogo não distingue ali entre o "ser" papa e ser julgado enquanto papa. O dogma católico desde tempos imemoriais ensina que não se julga a um papa que é validamente papa, em exercício de suas prerrogativas de papa. E nesse caso o teólogo, juntamente com Mons. Lefebvre, violam este dogma de fé quando pregam o "dever de desobedecer" a um papa que eles, contra o juízo da Igreja, julgam e afirmam que é papa "válido". Dom Mayer o disse; Mons. Lefebvre o "presume". Nosso autor julga que o herege público não perde o cargo. Então julgam o papa e julgam ao Magistério da Igreja. Violam a "imunidade judicial" que alegam para defender o herege como papa e para não o obedecer como tal.

Todavia, não se deve obediência a quem não é papa. Daí, antes de julgar a um papa é necessário julgar se alguém é ou não papa: "utrum sic necne papa". Só depois vem a imunidade judicial sobre o "quomodo sit vel agat". Alguém foi validamente eleito? Sua eleição foi válida? Ele aceitou? Renunciou? Perdeu o uso da razão? Morreu? Tinha ou não tinha a capacidade requerida pela fé para ser sujeito de um poder cuja natureza e existência só é dada pela fé?

A falsa intelecção do dogma católico se torna evidente quando o Teólogo, junto com "Hirpinus", e com a calorosa aprovação de Mons. Lefebvre, contradiz ao próprio Dom Mayer em como entender esse "não julgar" o papa. Este escreve: "Não existiria Conciliarismo em uma declaração de cessação de funções dum papa herético se um Concílio não se proclamasse com outro direito senão aquele de que goza todo fiel." (p. 279*) Esta é a profunda diferença entre o credo lefebvriano e o de Mons. de Castro Mayer.

E a contradição de nosso "teólogo" com o Magistério da Igreja é total: Inocêncio III, Graciano, o Sínodo Romano o contradizem doutrinalmente. E diversos Concílios da Igreja e papas os contradizem em seus atos. Se Alexandre VII ([através de declaração doutrinal expedida pelo] Santo Ofício) impõe a todos o dever de denunciar um papa herético: "Petrum esse haereticum" (D.S. 2025), é óbvio que se pode julgar um papa por tal delito, pela evidência racional.

[* - Referência relativa ao livro assinado por Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, cuja verdadeira autoria pertence a Dom Antônio de Castro Mayer, segundo o próprio confessou posteriormente. A exposição deste relato está no livro "O Concílio da Apostasia", página 109].

terça-feira, 31 de março de 2009

O Credo Atanasiano (Credo de Santo Atanásio)

1. "Quem quiser salvar-se deve antes de tudo professar a fé católica.

2. Porque aquele que não a professar, integral e inviolavelmente, perecerá sem dúvida por toda a eternidade.

3. A fé católica consiste em adorar um só Deus em três Pessoas e três Pessoas em um só Deus.

4. Sem confundir as Pessoas nem separar a substância.

5. Porque uma so é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo.

6. Mas uma só é a divindade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, igual a glória, coeterna a majestade.

7. Tal como é o Pai, tal é o Filho, tal é o Espírito Santo.

8. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado.

9. O Pai é imenso, o Filho é imenso, o Espírito Santo é imenso.

10. O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.

11. E contudo não são três eternos, mas um só eterno.

12. Assim como não são três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso.

13. Da mesma maneira, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.

14. E contudo não são três onipotentes, mas um só onipotente.

15. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.

16. E contudo não são três deuses, mas um só Deus.

17. Do mesmo modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor.

18. E contudo não são três senhores, mas um só Senhor.

19. Porque, assim como a verdade cristã nos manda confessar que cada uma das Pessoas é Deus e Senhor, do
mesmo modo a religião católica nos proíbe dizer que são três deuses ou senhores.

20. O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém.

21. O Filho procede do Pai; não foi feito, nem criado, mas gerado.

22. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho.

23. Não há, pois, senão um só Pai, e não três Pais; um só Filho, e não três Filhos; um só Espírito Santo, e não três Espíritos Santos.

24. E nesta Trindade não há nem mais antigo nem menos antigo, nem maior nem menor, mas as três Pessoas são coeternas e iguais entre si.

25. De sorte que, como se disse acima, em tudo se deve adorar a unidade na Trindade e a Trindade na unidade.

26. Quem, pois, quiser salvar-se, deve pensar assim a respeito da Trindade.

27. Mas, para alcancar a salvacão, é necessário ainda crer firmemente na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

28. A pureza da nossa fé consiste, pois, em crer ainda e confessar que Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.

29. É Deus, gerado na substância do Pai desde toda a eternidade; é homem porque nasceu, no tempo, da substância da sua Mãe.

30. Deus perfeito e homem perfeito, com alma racional e carne humana.

31. Igual ao Pai segundo a divindade; menor que o Pai segundo a humanidade.

32. E embora seja Deus e homem, contudo não são dois, mas um só Cristo.

33. É um, não porque a divindade se tenha convertido em humanidade, mas porque Deus assumiu a humanidade.

34. Um, finalmente, não por confusão de substâncias, mas pela unidade da Pessoa.

35. Porque, assim como a alma racional e o corpo formam um só homem, assim também a divindade e a humanidade formam um só Cristo.

36. Ele sofreu a morte por nossa salvação, desceu aos infernos e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.

37. Subiu aos Ceus e está sentado a direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.

38. E quando vier, todos os homens ressuscitarão com os seus corpos, para prestar conta dos seus atos.

39. E os que tiverem praticado o bem irão para a vida eterna, e os maus para o fogo eterno.

40. Esta é a fé católica, e quem não a professar fiel e firmemente não se poderá salvar".

quinta-feira, 19 de março de 2009

Is A Pope Necessary? (Um papa é necessário?)


(This was written to reponse the
Briton's Catholic Library Letter Number 7(...).

This is being published here to show the necessity of a Papal Election.)

Chapter One

Is a Pope absolutely necessary to the world? To the Church? Is he vital to the existence of the Church? Is the Church itself necessary?

Is a ruler in temporal affairs necessary, or is the State necessary? It depends on how one considers the existence of man. Man existed before the State and long before the Church, but how can there be a commonwealth without a government? The proper end of man is the Beatific Vision of God in Heaven. We must know, love, and serve God in this life and thereby gain eternal happiness in heaven. But salvation comes though the Church, “Outside the Church there is no salvation” ("Unam Sanctam", Pope Boniface VIII - 1302) It is necessary for man to be able to obtain this end for which God created him, therefore both the Church and the State are necessary.

Man could not obtain heaven guided by the Old Law. Salvation is necessary to man or he lives in vain. From the time of Christ, the Church is necessary because salvation comes only through the Catholic Church: 1) Sanctifying Grace through the Sacraments; 2) Authority,and the Law.

(Excerpts taken from the Encyclical "Mystici Corporis Christi" of Pope Pius XII, 1943)

1025. “The Church is the Body of Christ. And this can be deduced from the fact that Our Lord is the Founder, Head, Support, and Saviour of the Mystical Body.” This expression brings many beautiful thoughts to mind, perhaps not the least of which is that because this Church is the unchangeable Mystical Body of Christ, it is not subject to change in its constitution.”

1033. “In fact, after having solemnly confirmed in his lofty function, the one whom He had previously designated as His Vicar, He ascended into Heaven.” { Having completed its constitution with the designation of its Vicar, Christ left the rest to men. The office of Vicar of Christ though, was to continue in the Popes. As the First Vatican Council (1870) affirms: “If anyone assert that it is not the institution of Our Lord Jesus Christ, or of Divine right, that St. Peter has PERPETUAL successors in the office of Supreme Pastor over the Universal Church; let him be anathema.” }

1018. “It is most certainly to be maintained that those who possess sacred power in the Body are the ones who constitute its primary and principal members, since it is through them, according to the mandate of the Divine Redeemer, that the gifts of Christ, teacher, king, and priest are made perpetual.” {If the gifts of Christ are made perpetual in the hierarchy, then the hierarchy itself is also perpetual. }

1041. “For those who would remove the visible Head of the Church and break the bonds of visible unity, obscure and deform the Mystical Body of the Redeemer.”

1058. “Christ is the Head of the Church. He is the Saviour of His Body. For these words express a final reason why the name Body of Christ must be given to the Church.”

1044. “..it must be maintained, although this may seem so in the first place because the Sovereign Pontiff holds the place of Jesus Christ,” {as St. Paul says: The Head cannot say to the foot, I have no need of thee.} “Moreover, just as our Saviour rules the church invisibly by Himself, He Wills to be helped {visibly} in carrying out the work of Redemption by the members of His Mystical Body. This is not a result of His poverty or His weakness, but rather of the fact that He Himself willed it so.”

1052. “He, Christ, lives in the Church, so that She is like another person of Christ. This is what the Doctor of the Gentiles confirms when he writes to the Corinthians, when without saying anything further, he calls the Church, “Christ”, certainly in this imitating the Master Himself, who from heaven cried out to Paul as he was persecuting the Church, “Saul, Saul, why persecutest thou Me.?” Nor are you ignorant Venerable Brothers, of the statement of Augustine: “Christ preaches Christ.” {These beautiful and impressive statements about Our Lord and His relationship to the Church, and how He needs His members, demonstrate the necessity of His chief member--His Vicar on earth. We have said that the primary and principal members are they who possess power in the Body. The chief of these is the Pope. Jesus governs His Church in a visible and ordinary way through His Vicar who is part of the foundation.}

1064. “Therefore we deplore and condemn the vicious error of those who dream of some kind of a false church, a sort of society nourished and formed by charity to which, - not without disdain- they oppose another society which they call juridical. But it is useless to introduce this distinction, they do not understand that for this very reason, the Divine Redeemer willed the assembly of men set up by Him to be an organised society, perfect in its kind and equipped with all the juridical and social elements to perpetuate on this earth the saving work of the Redemption.{ This Church combines the invisible mission of the Holy Ghost, and the visible juridical function received from Christ; He said: “Receive ye the Holy Ghost {spiritual, invisible}; but also:” As the Father hath sent Me, I also send you {juridical, visible.} These essential juridical, social elements, so necessary to the Church, cannot be confirmed without a Pope.} “Therefore, there cannot be any opposition or repugnance worthy of the name between what is called the invisible mission of the Holy Ghost and the juridical function, received from Christ, of the Pastors and Doctors, for as in us the body and the soul--they complete and perfect one another, and they proceed from one and the same Saviour, who not only said as He imparted the Divine Spirit, “Receive ye the Holy Spirit,” but also clearly gave the order; “As the Father hath sent Me, so I also send you,” and again, “He that heareth you, heareth Me.”

1068. “The very ancient and constant teaching of the documents received from the Fathers shows us that the Divine Redeemer together with His social Body constitutes one Mystical Person, or, as St. Augustine has it, the whole Christ.”{ How is the whole Christ constituted in the Church today, left without a Pope ? Only if we consider this an inter-regnum and intend to elect a Pope, can we consider that the Church is complete today.}

1070. “Above all, it is absolutely necessary that there should be conspicuous to the eyes of all, one Supreme Head by whom mutual assistance of all in the prosecution of the end to be attained may be directed. We mean the Vicar of Jesus Christ on earth. For in the same way in which Our Redeemer sent the Paraclete, the Spirit of Truth, who acting in His place should assume the invisible government of the Church, so He ordered Peter and his successors, acting in His Person on earth, to provide a visible direction to the Christian community.” {Both visible and invisible Church are necessary. The papal Encyclical [Mystici Corporis Christi] makes it clear why the Church cannot be continued without a Vicar for a long period of time. These impressive statements about Our Lord and His relationship to His Mystical Body and His need of His members demonstrate the necessity of His chief Member, His Vicar, on earth. The Pope [ Pius XII ] said that the primary and principal members are they who possess power in the Body. The head of these is the Pope.}


Chapter Two

The Heresy of the Perennial Headless (Acephalic)

“The desire to operate actively is to offend God who wants to be the only agent; therefore it is necessary to abandon oneself wholly in God and thereafter to continue in existence as an inanimate body”.- The Quietist Heresy of Michael of Molinos, condemned by Pope Innocent XI,{ Dz. 1222.}

Introduction: The Sect of the Headless (“Acephalic”)

After the Council of Chalcedon, some groups condemned by this Council began to wander without a head or leader (Acephalic) in certain Eastern regions. From one of these groups around 630 AD, the doctrine of “Monogism” was originated by Emperor Heraclius, which later, at the time of Pope Honorius1 became the Monothelistic heresy. Today the “Acephalic” or headless has reappeared with another doctrine, but with the same denial of a Visible Head in the Church, not only as a consequence of the papal vacancy due to public heresy, but also as a doctrine which affirms the impossibility, the invalidity and the unlawfulness of the specific juridical means of terminating the vacancy: that is to affirm the perennial vacancy, a church without a head (“non tenes caput” Col;1, 19). Such a horrible heresy is sustained with clear psychological accents in the letter of November 7th, 1990, “Of a Papal Election--A summary of our position {taken from Britons’ Library}.

They set aside the teachings of great theologians like Cajetanus, Vittora, St. Robert Bellarmino, Billot, etc, and the dogmatic moral and juridical foundation of the Church, and they boldly defend “our position” as if in the Church, it were licit for everyone to freely propagate their own opinions without paying attention to what the Catholic Church has always taught. Our objective is not to document directly the doctrines of those famous theologians, but to refute the foolishness and the Heresy that is now being spread ( “sub specie pietas”) under the mask of piety { (Ds. 809 ;Dz 434)
Those doctrines originated in France and have ramifications in other countries. They are also related to other heretical doctrines (like the “papa materialiter-/- papa formaliter” from Fr Gerard des Lauriers and the Abbe Barbara.) We believe that even those who say that they are “united” with the heretic disguised as pope. {although they do not obey him at all - like the SSPX}

They deviate from their principal duty by inventing doctrines, and they contradict themselves because they are afraid of fulfilling that duty in the extraordinary and unprecedented circumstances currently existing in the Church. All agree in the books and articles on the situation of extreme need present within the Church; they speak about the heresies that are freely propagated at all levels, but they are frightened when they must define the consequences of such a situation for the social order of the Church.

They attach themselves to human law by opposing divine superior norms, as if the intention of the legislator were to IMPEDE what is of absolute necessity for the existence of the Church: the hierarchy of Holy Orders and the hierarchy of Jurisdiction.

This is the new Sect of the Headless, without an hierarchy, without sacraments, without Pope, without a solution. Because of the crimes of heretics who separate themselves from the Church, they consider that the Church was destroyed or damaged in her juridical perfection and that she does not have “licit and valid means: for her recovery.

1. The Suppletory Right of the Church

Let us briefly quote some teachings about the Suppletory Right [ or remedial right] in the Church to elect a pope in situations where there is not an human law on the subject {“ Vacatio legis”} or where there is an human law that is not applicable due to the specific situation at the time, the absence of the electors appointed by a human papal law, or the negligence of those electors to apply it, or genuine doubts concerning the identity of the designated electors, or even due to the impossibility of applying human laws because of a schism or deviations, divisions, and heresies among the electors. We will return at a later point to this doctrine. Presently, we only quote some sentences:

1.1 Cajetanus:

“by exception and by the suppletory manner of this power { that of electing a pope }, corresponds to the Church and to the Council, either by the inexistence of Cardinal Electors, or because they are doubtful, or the election itself is uncertain, as it happens at the time of a schism.” (De comparatione autoritatis papa et concilii, C. 13 and C. ,28)

(...)

1.3 Billot (Bellarmino):

Billot examines how the papal “election” would be implemented in an “extraordinary case” when it would be necessary to proceed with the election, if it is possible to follow the regulation of papal law, as was the case during the Great Western Schism.

One can accept, without difficulty, that the power of election could be transferred to a General Council. Because “ natural law” prescribes that, in such cases, the power of a Superior is passed to the immediate inferior, because this is absolutely necessary for the survival of the society and to avoid the tribulations of extreme need.”(De Ecclesia Christi.) - {Bellarmino: Contoversiae, De Clericis, 1.1 C. 10}. Therefore: “non est dubitandum” [one cannot doubt], “one must accept without difficulty” that the Church always has and will always have, in any situation, even in the most difficult and extraordinary one, valid and licit means of electing a pope. This is a consequence of the notion of a “perfect society,” which the Church is. “Perennial vacancy” is impossible in a society which must last up to the end of times. let us now examine how the aforementioned Britons Library people oppose this doctrine.

2. The Extinction of the Right to Elect a Pope

Britons simply denies the power to elect a pope, in case of the lack of Cardinals {They have reversed their position on this since Dr. Johas’ wrote this paper}. That article affirms that God cannot change the human papal law, that God must “respect” the papal laws, because upon conferring the power to the popes, He promised ” to bind in heaven whatever they would bind on earth.” God would be self-bound and would be unable to change the law concerning Cardinals. Later they say that “theoretically,” “in abstraction”, they were in error according to the authority of the theologians. But, nonetheless, the authors- Britons- affirm “ the correctness of this position (of the theologians) is not self-evident as some might think, for it is not antecedently impossible that the right of electing a pope should perish with the last Cardinal.”

Then, instead of accepting the common doctrine of the theologians, the authors oppose it with the doctrine of the extinction in the Church of the power to elect a pope. Yet they allege that since “The Cardinals have the right to preach, administer confirmation and reserve the Blessed Sacrament in any diocese.” Nevertheless, nobody would seriously argue that if all Cardinals perish, these rights would pass directly to the Bishops”(sic) ( ! )
Hence:

2.1. Hierarchy of Laws

A contingent of human laws cannot impede a necessary divine law, or that law would become void. The human laws on the dignity of the Cardinals belong to this category, according to common understanding. Therefore, they cannot prevent the election of a pope, because it is a necessity of divine right, that is, it is essential to the Church. The right to elect a pope granted to the Cardinals by the human laws of the popes comes from the absolute necessity for the Church by divine right, and if this is not performed by those in charge, then other people must perform it. Furthermore, the other privileges of the Cardinals concerning the territories for the administration of the Sacrament are already shared by the other Church ministers inside each diocese. And, in cases of extreme necessity, any minister of the Sacraments, even an heretic, can administer the Sacraments, even beyond the territorial limits of their jurisdictions. Therefore the argument opposes what is a contingent human law to a law of the necessary divine Right: it subverts the hierarchy of authority and of the laws between God and men.

2.2 God’s Power of Binding

The power of binding and unbinding given by God to the shepherds of the Church is NOT an absolute power that confers upon men the authority of binding and unbinding God’s laws themselves, in such a way that God is obliged to “respect” and “obey” any human law promulgated by a pope. If that were the case, any pope could change the divine constitution of the Church and eliminate all the divine precepts. “No one, but God Himself can grant a dispensation from the commandments that come from God.” (St. Thomas, 1-2,97,4 ad 4). “The pope cannot alter any law of divine right, neither by dispensation nor by abrogation. This is the conclusion of all theologians, without any debate whatsoever.” (Vitoria, “De Potestate Papale et concilii, Prop.1) Thus, that thesis by Britons is based on gross juridical ignorance

2.3 Denial of Reason and Faith

What is or what is not “evident” in matters of faith comes from Revelation as interpreted by the teaching or “Magisterium” of the Church and not through the free opinion of each person. Even in the natural order, in temporal society, it is obvious to elect or appoint a ruler. In the supernatural order of the Church, Revelation tells us: “Ubi non est gubernator populus coruet.” {Where there is not government, the people are doomed to destruction} (Proverbs. 11, 14.) And the magisterium of the Church teaches solemnly that Peter will always have “perpetual successors”. {Ds. 3058; Dz.1825.} Therefore, it is not variable like the “situations” and the crimes of heretics. It is not relative to situational variations.

3. Practical Impossibility of a Papal Election

Britons says; “The norm of the suppletory power to elect a pope is theoretically possible, “a theological possibility “in abstract.” ”However it is practically impossible to exercise it. And this is so because the validity of an election requires the consensus of all Catholics throughout the world.” But, this consensus is impossible because, even among the theologians, there is not a consensus about who would be the electors of the pope: Billot and Cajetanus say that the election corresponds to the Council; Dom Grea believes that the electors are the members of the Roman Clergy; Bellarmino thinks that they are the Roman Clergy and nearby bishops. Billot quotes Franzelin, who says that in the Council of Constance, Gregory XII, who was the legitimate pope, granted powers to the Council, so the law of Suppletory Right was not used.

Therefore, without a general agreement, some Catholics would have the right of rejecting the elected pope. Without that agreement, there would be arguments and schism. So, the pope would be doubtful and, therefore null. There is a “moral impossibility for a valid election.” There is also the question of whether the lay people should be allowed to participate in the election.

3.1 Impossibility and Possibility

Any universal norm of action has the purpose of ruling the practice, it is a “norma agenda” and a simple abstract theory. Pius XII condemned the “Situation Ethics” of the Modernists, where the norm itself is altered according to the current “situation”: “ moral law includes necessarily and universally all the concrete or particular cases in which its concepts are verified.” (Alloc. 18-04-1952. New Moral.) Therefore, Canon 20 teaches that upon lacking a general law or a particular law, “norma sumenda est”...one should act according to the general principles of law, of practice, and of the common sentences of the Doctors. “The Law” is not here for mere abstract sentence; for it has with the imperative authority of the will of the legislator. And, in the case of the “Divine Legislator,” Who made the divine constitution of the Church, and “wanted” that within Her, “popes, shepherds and doctors”, would exist until the end of time.”(Ds 3050.Dz 1821) Therefore God wanted electors up to the end of time. He ordered electors whenever a vacancy would occur. And God never commands things that could be impossible to be obeyed in practice, neither morally nor juridically. This affirms the Jansenius’ heresy that : “Some of God’s precepts are impossible (...) because of the lack of grace that could make them possible” (Ds 2001; Dz 1092 ) Many moral and juridical precepts present difficulties to be obeyed, but none of them could be labelled as “impossible”. What is a necessary dogma in the divine constitution of the Church cannot be either “morally” or “practically” impossible. {Therefore to claim that the line of popes has come to an end before the end of time is to make oneself an heretic.} Impossibility means an absence of means to attain the end and a perfect society juridically has always the means to attain its final goal in itself. In this case the Suppletory Right taught by the Doctors is the “norma agenda” indicated by Canon 20. which comes from the “general principles of the law and the consensus of the Doctors of the Church.” Therefore, it is the law of God and of the Church: On lacking a specific law , the Church always provides a generic law for extraordinary cases, as in the case of the lack of electors appointed by human law. In the First Vatican Council Bishop Zinelli, Defender of the Faith, judged that probably there would never be the case of an heretic { who was invalidly elected as a pope,} but he added: “However, God is never absent in the necessary things, therefore if God would allow such a terrible evil, there would not be lacking ways of solving it.” (non deerunt media ad providendum) [Msi. 52, 1109-Salaverry, De Ecclesia Christi, V.1, p. 696]

3.2 False Inexistence of Consensus

About the universal consensus of Catholics for a papal election, it is necessary to distinguish between the consensus and its cause. Neither is faith the object of free acceptance, nor the general principle of the Law which comes from Divine Right. So, it is not a matter of free choice to believe or not to believe in the necessity of a pope, in the existence of a “perpetual successor” of Peter, and therefore in the existence of “perpetual electors”, and in the duty of electing a pope, when the See is empty. This is not a matter of free choice even for the pope. God granted the pope the freedom of ruling according to his law, or, in contingent matters, according to his prudence. Even in these later cases he has the duty to follow the prudence of the Legislator rather than his personal prudence.

God did not determine the form of the papal election, but the necessity of the papal election continues to be of divine mandate and it is contrary to the faith to deny the possibility of the election.

It is also false to state that Catholics do not have a consensus about the general principles of the law, and about the necessity of the pope and his election. This consensus is a dogmatic consequence; the truths of the faith come “non ex consensus Ecclesiae” but “ex se esse”{not from the consensus of the Church but [ unable to be reformed] of themselves} Ds. 3074; Dz 1839. Here there is NO freedom of opinion. There are “theological reasons” to believe and to act this way. The statement about the freedom of opinion belongs to Vatican II, as well as the “aequalitas juridical” of all religions, which are the fruits of the Modernist agnosticism.

We have in the Church of Christ a double unity that is “required by divine right.” Before the unity of the rule and government of the pope, exists the unity of faith, the “coetus fidelium” [assembly of the faithful], which is also united by the rule of the organisation (Ds 3306; Dz. 1838). Therefore, those who previously did not belong to the “coetus fidelium”, do not have the right to participate in a papal election: they have neither an active nor a passive voice in the Church. (Paul IV, Cum ex Apostolatus) {Both of these unities are included in the Mark of the Church}

Those who do not accept canon 20, do not accept the divine principles of the Law of the Church. Therefore, not to accept what is of a necessity for the means of the existence of the Church is NOT TO BE A CATHOLIC. The Creed is the “firm and unique foundation in religion over which the powers of hell will not prevail.”{Ds 1500; Dz 782}

However, it is possible to unite the community of the faithful, not on the consensus of free opinion, but on the general principles of the Law, that are dogmatically imposed on everyone. The Protestants will stay outside: they never participate in a true papal election. Those who follow them are in the same circumstances. The elections in the first millennium of the Church were not invalid because they argued about contingent matters, that generate schisms. Neither did those facts prevent the elections. If the civil society is able to agree on an electoral law in free matter, with much more reason Catholics can. But one who does not consent to the principles and foundations of the Church IS NOT A CATHOLIC.

3.3 Consensus among Theologians

This is what Cajetan affirms. Opinions are not equal and equivalent, as if there were nonexistent in the areas of reason and faith a criterion of distinction between truth and error in matters of absolute necessity for the Church. If that were the case, the Church Herself would be dependent on human contingent facts.

3.4 The Council of Constance

To allege that in the Council of Constance all papal laws were observed because Gregory XII, according to the opinion of Franzelin, was the legitimate pope and gave authorisation to the Council for the election of a pope, before his own resignation is a controversial matter, a present position that was [not] clear at the time of the Great Western Schism. Therefore, even if this statement could be proven today, that would not change the doctrine of the Suppletory Right in situations of impossible application of the papal law.

The Right does not come from singular concrete facts, according to the teaching of Pius IX (Ds 2959; Dz 1759): quite the opposite, the concrete facts “must be” conformed and ruled by the Right. If the opposite were the case, we would have the relativist and positivist “Right” of the agnostic democracies, of the atheists, of the French Revolution, and of Vatican II. Therefore, if in Constance, the Council would have followed the papal laws on admitting “other electors” in addition to the Cardinals, that only confirms that the norm of appointment of the electors is a mere human right, and that, on lacking those electors, “the Church” has the power of electing a pope. {And of selecting her own electors}

3.5 Right to Reject

In the Church, the “right” of adhering to religious freedom, “the right of not fulfilling the duty of following and adhering to the truth,” is an agnostic “right” and is precisely what Vatican II preaches, the foundation of all present heresies coming from this new “church” of Vatican II. Even in possible things that are merely probable, it is not morally licit, according to Pope Innocent XI, to follow the “least probable” and the “weak probability.” (Ds 2102-2103;Dz 1152-1153) Then, whoever tries to reject a pope elected according to the only existing means for the election, following the “norm” indicated by Canon 20, on doing so, that person is shirking his moral duty and departing from Catholic Church doctrine and the teaching of Her Doctors, and so he becomes a schismatic.

3.6 Doubtful and Null Pope

To affirm that a pope elected according to the suppletory norms that are founded on the dogmas of the perpetuity of the Church, of the popes and of the hierarchy of jurisdiction, is “doubtful” for that reason, means the denial of the dogma on which that doctrine is founded and the “doubt” of the truths of the faith.(Canon 1325 / 2.) He who “does not hesitate” to adhere to the perennial headlessness of the Church, affirms “the right” of doubting of those norms and is falling into the same denials and doubts of the heretical Protestants. So, that person accompanies the heretics on affirming the “nullity” of the election of such a pope and he is not a Catholic. Catholic popes are neither elected nor validated by heretics, in an ecumenical way. Arguments and existing schism in the elections during the first millennium of the Church, when clergy and people participated, neither invalidated the elections nor made the pope doubtful or null.

(...)

3.8 Consensus Among Theologians

Thus it is not true that there is no consensus among “Catholic” theologians about the perpetuity of electors of the pope and about Suppletory Right.

On the opinion about which is the competent electoral college, the Council or the Roman Clergy, Vitoria teaches: “In any case when the Holy See is vacant, paying attention only to the divine Right, the election is the business of all bishops of Christendom” (Pro. 21, ibidem). It is obvious that the participation of the “Roman clergy” as well as the “Roman people” is of human right, and comes from a human law that was abolished by Nicholas II (“In nomine Domine.”), and totally by Alexander II (“Licet”). After these decrees, the “Roman clergy” for all purposes, is the College of Cardinals. Therefore, when this is lacking, the “Roman clergy” is lacking. So if we pay attention only to the divine Right (since in this case we have a “vacatio legis”, that is the lack of a specific law in the human right) there is no doubt that the Suppletory Right of the first level passes to the College of residential Bishops, and if they are missing, because of the same law, then to “ad totam Ecclesiam”.

4. Denial of the Necessity of the Pope

The central question in the dogmatic area in the Britons’ article is the heretical statement that in the Church a pope is not “absolutely necessary” because he is not “essential” to the existence of the Church. Therefore, their conclusion is that “it is not necessary” to elect a pope.

The argument is: if the pope were “essential” and of “absolute necessity”, the Church would cease to exist in any vacancy because “plus et minus non mutat speciem” {species are not changed because of more or less quantity.} However, the Church does not disappear in the short vacancies at the death of the pope; so the pope is neither essential nor absolutely necessary, and a vacancy of a thousand years or even in perpetuity is possible. The lack of a pope is a handicap, an inconvenience, like the amputation of one’s arm. He is “very useful”, but he is not necessary..{so says Britons!!- this is sheer HERESY.}

4.1 Necessity of the Pope

Without the pope, the dogmatic and canonical “Magisterium” of the Church would not exist and the Church would not be necessary for the salvation of souls. But, Our Lord did not trust to particular judgments the explanation of things contained in the Deposit of the Faith, but to the “Ecclesiastical Magisterium.”(Ds 3866-3867). Therefore, without a Pope, the Church would not exist. It is not enough to accept the “empty position”, to accept the magisterium and the ruling norms of the faithful.

In the same way that the Church is perennial, the Hierarchy and the primacy of Peter are also perennial, wrote Salaverry. (Sacre Theol. Summa, V.I, p. 584). These are doctrines defined by the First Vatican Council (1870), which declared “anathema” to those who deny that “Peter, in the primacy over the whole Church, has perpetual successors.” (Ds. 3058;Dz. 1825.)

What Britons’ article says is a flat denial of that dogma. The pope is the “foundation of the Catholic Church, Head and column of the Faith, he always lives and presides and exercises the judgment.” From him “the rights of communion in the Church are coming.” He is the Supreme Shepherd and Doctor of the Church and “Christ willed in His Church the existence of Shepherds and Doctors up to the end of times.” (Ds. 3050-3058; Dz. 1821-1825.)

So we cannot help but classify as a heresy such a doctrine, which is opposed to the defined truth of faith. He rules the Church with a “living voice“ (Leo XIII, “Satis Cognitum”; Pius XI, “Mortalium Animos”). Then, it is absolutely false and heretical to state that the pope is only convenient and useful, but not absolutely necessary in the Church that Christ “willed” and “instituted”. A body cannot live without a Head. Where is the adjective “Catholic”, used by Britons coming from? In the Council of Ephesus, St. Leo 1 taught: “Peter, even today and always, lives and exercises judgement in his Successors.”(Dz. 112)

The Council of Trent teaches the necessity of the hierarchy of Holy Orders and also of “the canonical mission” that comes from Peter. (Ds.1767-1777; Dz. 960-967) {How shall they preach unless they be sent?} Pius VI teaches that the denial of the power that comes from Peter is an heresy (Ds. 2603; Dz. 1503 ). Leo XIII affirms that the Church should last “sine ulla intermissione in perpetuitate temporum” [without interruption till the end of time] “if the Church would not last, it would not been founded in perpetuity, and this is against truth,”- “the church founded on Peter will never fail.” “Ergo Ecclesiam suam Deus idcirco commendavit Petro, ut perpetuo incolumen tutor invictis conservaret.” (Satis Cognitum.- Leo XIII). And Pius XI said : “It cannot happen that the Church does not exist today and in all times as completely as the same Church that existed in the times of the Apostles.” (Mortalium Animos).

(...)

6.1 Purpose of the Election

The duty of Catholic Morality on ending the vacancy is to obey the divine norm, to unite under one government those who already have the same faith, those who already belong to the “ coetus fidelium”. {Distinction here about membership rather than “coetus fidelium” is necessary.} The present objection affirms that the fulfillment of such duty “exacerbates the divisions” (already existent) and that as a consequence would not reach the desired goal. Well, those who are already hopelessly divided before any election, either about the traditional doctrines or the vacancy itself (Canons 188, 188 # 4, 22612, 2264...), even after repeated warnings, are either Heretics or Schismatics, and they should be legally considered so (Canon 2315 ). The objection tries to maintain an “ecumenical Church”, divided partially in the faith, with equal rights and freedom for opposite opinions. It opposes concrete facts to what should be by Divine Right. Nevertheless, the Church does not consult the Protestants to elect a pope. Pius XI denies the Church “ is divided in different areas” because some have gone away from her (Mortalium Animos). Thus such an objection is based on the Ecumenism of Vatican II and the Heresy of Religious Freedom. It makes an alliance of the “ free interpretation” of the prophetic revelation with a false idea about the Church. It denies the doctrine of Catholic Morality.

(...)

6.3 Individual and Social Action

It is not an “individual” and “ officious” action, the one performed by people in agreement with the doctrinal duties and Church’s laws. Ontologically all human actions are “individual” actions and personal initiatives, even those of the popes, cardinals and bishops. However, morally and juridically their actions are ruled by norms of the public Laws of the Church, which confer them rights and duties or suppletory “authority to act;” “The actions of the faithful are spiritually united in the unity of government. Canon 20 obliges all Catholic people to act in a determined way: “norma sumenda est.”[the norm should be taken]. Then, such acts are in agreement with the Public Laws of the Church. They are not self-appointed, those who act in agreement with those laws, but those who act by their personal interpretation of the Revelation, converting the duty of “acting” into the duty of “not acting”. The duty of “personal sanctification” cannot be fulfilled when we exclude our social duties. When the appointed electors exist, it is up to them to fulfil that duty; when they do not exist, this is the duty of the “whole Church.”

(...)

6.5 What is really necessary

“What is really necessary; is what must be done;” what is included in the duty of our sanctification is the “fulfilment of all duties” and not only of those freely chosen by “our own judgement” (Titus. 3, 10 ), or selected by the opinions of other people. Britons follows the heresy what Wycliff preached: “Post Urbanum VI non est aliquis recipiendus in papam sect vivendum est more graecorum, sub legibus propoiis.” (Ds.1159; Dz. 589) [After Urban VI, nobody should be accepted as pope, but everyone should live in the ways of the Greeks, and under their own laws.] Britons only changes the name of the last pope, but their article maintained that heretical norm in its entirety, in spite of its being condemned by the Council of Constance.

7. The Duty of Abstention of Actions [by Britons]

Britons say: “God does not prohibit us to do what is in our reach; but one should believe that, in the present crisis, the duty is the abstention of practical actions, we must pray exclusively, until God intervenes.- It was the prudence of Noah in building the Ark under God’s command. Christ disapproved the action of Peter in the Garden of Olives.- “One must reject without hesitation the ending of the crisis by practical initiative; the crisis cannot be solved at the natural level because it is too big. It was produced by God for a specific goal and it will not end until this goal will be reached. We should not frustrate the divine plan by natural means, by a conclave. One already took place and it was a failure {Parallels with Pisa, Constance..} To be orthodox without popes, shepherds, sacraments, Mass, etc...the unique solution is prayer. We believe that the crisis will only be ended by Enoch and Elias, who will extinguish the vacancy, with God’s intervention and the death of the Antichrist. Until then; “only prayer instead of action:” the sole solution is prayer. It is not Quietism, the abstention of the duty of acting, and it is not against the sentence of St. Ignatius. The crisis cannot be solved by natural resources, by practical intervention, because it transcends the natural order, it is extraordinary. It is a lack of faith to affirm that it will be ended by any other way. Cajetanus confirms: “Where there is not a natural resource, as in the case of a bad pope, only prayer is the right and specific remedy; efficacious panacea when human means are inexistent. Well this it the present case. Then as now, only prayer is the means. We are few, without authority and full of errors”

7.1 Free Interpretation

If Noah built the Ark by a direct revelation from God, today God’s Revelation orders us to act according to the doctrine and laws of the Church, and not waiting for a “new revelation” about the papal election, about Sacraments and jurisdiction of Bishops. It is a Modernist Heresy to say that “the revelation, object of the faith, was not completed by the Apostles.” (Ds 3421; Dz. 2021) but that it is “the interpretation of religious actions made by human mind.” (Ds. 3422; Dz. 2022). This IS Exactly what Britons does. Nobody questions either the excellency and efficacy of prayer, or the duty of praying, but the existence of other duties. St. Pius V did not excuse the Battle of Lepanto against the Muslims trusting only in prayer. And the crisis was big and extraordinary then. During the Arian heresy, popes were elected; and at the time of the Great Western Schism nobody thought to put an end to the crisis only by prayer, without an election. They deny the existence of the specific means, the possibility of electing, by adopting the heretical doctrine that the pope is NOT necessary - to the faith.

7.2 Divine Plan

To affirm that acting is “to frustrate the divine plane” is a false doctrine. God does not want sins, apostasies, and heresies {or extended vacancies in the high offices of His Church.} He permits that they occur, but He does not have a “plan” to avoid those happenings. Morally he does not want them to happen while physically He allows the happening of sins. God is not the Author of crimes, even when He prophesies them because of His divine wisdom and knowledge. So, the divine will is that the Catholic faithful act according to the divine duties and laws, and not against them. The exegesis of God’s way of acting and of His will is given by the Infallible Church in Her laws and not by the free interpretation of the “plans” of God.

7.3 Social Quietism

Britons repeats “ipsis litteris” the Quietist doctrine of Molinos, even limiting it to the present social duties. Molinos wrote: “Velle operari active est Deum offendere, qui vult esse ipsis solus agens.” (Ds 2202; Dz. 1222) {To want to operate actively is to offend God, Who wants to be Himself the sole agent.} Pope Innocent XI condemned this heresy. Nevertheless, Britons repeats the same words concerning the social level. They repeat the sentences of Quesnel: “In vanum, Domine, praecipis si tu non das quod praecipis”, and “gratia non est aliud quam voluntas dei jubentis et facientis quod jubet.” (Ds 2403-2411; Dz. 1353-1361.) [Lord Thou orderest in vain, if Thou dost not give that what Thou orderest; The grace is nothing else that the will of omnipotent God Who commands and does what He commands.] Clement XI also condemned this false doctrine. The Council of Trent condemned the doctrine of Luther: “Faith and confidence in God are enough, without works.” (Ds. 1562: Dz. 822) “ nihil omnio agere et passive se harbere.”(Ds 1554; Dz. 814) [Absolutely nothing makes and behaves in a merely passive way;] salvation “sine conditione observantiae mandatorum” (Ds. 1570; Dz. 830) [without the condition to observe the commandments.] Therefore, that doctrine of the exclusiveness of prayer and confidence in God is opposed to the fulfilment of social duties, it does not seem a Catholic doctrine but similar to the “faith” of Luther.

7.6 Catholics Without Authority

Vitoria wrote: “Notem est in jure quod non oportet ut electores habeant autoritatem ad quom eligunt”(De Potest. Ecclesiae Rec.2 ) [It is obvious in Law that it is not necessary for the electors to possess authority for which they are electing.] Those who elect a civil ruler do not have his authority. Those who elect an Abbot do not have the Abbot’s authority. Neither do the Cardinals possess the papal authority (Vacante Sede Apost. Canon 1.) Peter did not leave a law on how to apply the papal power to a person when the appointed electors would not exist; the Church possesses the suppletory authority of the orthodox bishops, who received it from the Holy Father. But even if those bishops lacked, because of the same law of substitution, that authority would be passed necessarily to the whole Church, not in order to delegate power to a pope as the ministerial Head of the Church (Ds 2602-2603; Dz. 1502-1503), but only to choose the man who, “ jure divino”, will exercise the power that comes from God. In “vacatio legis”, the “only way available would be the election by the Church.” (Vitoria). If nobody else had the “authority” to choose the person who would occupy the position from which comes the authority for everybody, the See, from which the rights(...) for all proceed” (Ds. 3057;Dz. 1824) by canonical mission( Canon 109), then the Church would have died indeed. But this is impossible, so the logical consequence is that there are “Catholic electors” with the necessary and sufficient “authority” to carry out a valid election in any crisis, even in the present one. If in fact there have been wrong and badly prepared “elections” without previous regulation by those who profess the same faith ( and only from them) that does not mean that elections could not and should not take place with adequate preparation, only previously excluding those who have self-excluded themselves from the congregation of the faithful people. If there were some who erred, not everybody always and universally is erring as well.

Conclusion: The Duty of Unity

We cannot foresee or prophesy future events, we have neither received special revelation, nor are we the Illuminati nor the gnostics. We do not know either when Elias or Enoch will come, nor how they will act, nor if God will convert those who are merely wandering, scattered among the millions of “Catholics” of the New Church, or even if through them, one day there will be the election of an orthodox pope. These are only “possibilities” that only God knows. We can only grasp the doctrines of the safe and perennial Rock of Peter, based on the dogmas of the perpetuity of the Church, of the hierarchy, of the pope, of the Shepherds and Doctors, of the power of Holy Orders and jurisdiction and of the Right of the Church. We do not invent new doctrines to justify “unity” with an heretical “pope”, neither do we recognise his permanency as “valid” either “formally” or “materially,” to justify the separation from the obedience of a pope who is considered “valid”; we do not invent doctrines about the situation of need, illicitness of the sacraments, perennial vacancy, impossibility of a papal election, or eschatological exegesis. In one point those prophesies are very clear; that there will be many “false prophets” at the end Times, and they will announce that Christ is here or there. Christ warned us so that we will not believe in them, and we will persevere in the same doctrines that have been always taught. Among these doctrines is the one about “perpetual successors” of Peter and the existence of “shepherds” up to the end of times.

It is an heresy to state a “general darkness” of the doctrine (Ds 2610;Dz. 1501) in the Church where “lux lucet in tenebris” (Lo.1, 15). But, “broken from the links of the visible unity, the forms of the Mystical Body of Christ are darkened, so that it can be neither seen nor found by those who ask for the port of salvation.” (Pius XII, Myst. Cor.Christi). Things of the Church “are seen by the one who believes” and are visible “for those who adhere to the right faith and not for the others” (St. Thomas. S.T.2-2, 1-4, and ad 3). Passing from the doctrines of the Church to practical action, since those who profess our faith and belong to the same “coetus fidelium” are dispersed throughout the world, as long as the lack of ordinary jurisdiction is not eliminated because of that dispersion, that is merely physical and not doctrinal, it would be useful to gather those people in a society that could serve for the better knowledge of the faith and of the persons who profess it, and that could help to prepare the necessary base for the end of the vacancy. The unity of government requires a previous unity in the faith and in mutual charity, a distinctive Mark of the true Church.

Laus et Gloria Deo Nostro

Dr. Homero Johas

sexta-feira, 13 de março de 2009

RENUNCIA TÁCITA AL SUMO PONTIFICADO "AB IPSO JURE ADMISSA"

Homero Johas, distinguido intelectual brasileño.
Se ha destacado por sus estudios sobre los problemas de la Iglesia;
fue recomendado a " ROMA " por Mons. de Castro Mayer .

La cuestión de la posibilidad de que un Papa que ha incurrido en herejía prosiga con la jurisdicción papal, me parece que, en último análisis, se resuelve por la consideración de dos puntos: la distinción entre jurisdicción ordinaria y extraordinaria y los requisitos, ya de la parte del hombre, ya de la parte de Dios, para que tal jurisdicción exista en una persona que, siendo Papa, incurrió en herejía.

La distinción entre jurisdicción ordinaria y extraordinaria es requerida porque el cargo papal tiene su jurisdicción, que es suprema en la tierra, anexa a él por la Revelación. Así, es ordinaria, delimitada por la Revelación terminada. De modo absoluto, Dios podría hacer otra Revelación, pero es de fe que no lo hará hasta el final de los tiempos. Luego, la posibilidad absoluta de que Dios pudiese conceder una jurisdicción extraordinaria a un hereje deja de existir en presencia de la jurisdicción ordinaria que pertenece a la Iglesia tal como fue instituida por Cristo.

Dios podría gobernar la Iglesia por un animal, como por el milagro que hizo con la mula de Balaam; aún así sería necesario que revelase que tal mula hablaba por acción directa de Dios. En el caso concreto, presente, no existe tal Revelación ni puede existir y, si existiese, el Papa herético dejaría de manifestarse exteriormente como herético, pues Dios no podría enseñar herejías.

Que el Papa herético pierde la jurisdicción ordinaria inherente a su cargo, eso se evidencia por dos consideraciones: de parte del hombre herético y de parte de la propia jurisdicción ordinaria del cargo papal.

El hereje deja de adherir a la fe y a la autoridad del cargo papal, pues todo hereje es también cismático. Luego, necesariamente, él, por su propia voluntad, se separa de la autoridad jurisdiccional inherente a su cargo. Tal separación se sigue pues de la definición de herético, el cual está "subvertido [...] por el propio juicio" (Tito 3, 11). La separación del cargo papal es por lo tanto consecuente a la adhesión renitente de la voluntad papal a la herejía y no a las verdades divinas definidas por la autoridad inherente al cargo papal. La separación es, pues, "a seipso" y no "ab alio". El renuncia "ipso facto" por la adhesión a una doctrina opuesta a la doctrina católica enseñada por la autoridad divina inherente al cargo suyo. Se da, pues, de parte del sujeto de la jurisdicción, la renuncia tácita y necesaria a la jurisdicción papal. El no puede querer simultáneamente dos cosas opuestas aunque explícitamente diga que desea proseguir siendo Papa.

Esto está demostrado por la autoridad de la Iglesia, de Santo Tomás y de San Roberto Belarmino, además de otros teólogos.

La iglesia, en el Canon 188, S 4 "admite" la vacancia "ipso facto" de cualquier cargo de jurisdicción ordinaria por el hecho de que una persona haya adherido públicamente a una doctrina herética. No se desvaloriza ese juicio de la Iglesia diciéndose que es derecho humano y que el papa no está sometido a él, pues él se basa sobre la "incompatibilidad" objetiva entre dos objetos opuestos a los que no puede físicamente adherir al mismo tiempo la voluntad del hereje, la voluntad cismática: a la jurisdicción ordinaria y al rechazo de lo que es impuesto por ella. Por lo tanto, el juicio de la Iglesia ahí, al juzgar "admitida por propio derecho" la renuncia tácita, está haciendo referencia al derecho divino que, por un lado, garantiza la autoridad papal y, por otro, es rechazado por la voluntad cismática del hereje. La incompatibilidad entre la herejía y el cargo de jurisdicción ordinaria antecede al juicio humano de la Iglesia, trasciende a él y existiria incluso si el juicio humano de la Iglesia nada dijese en el Derecho Canónico. Pero, si la Iglesia lo dice, ella confirma la incompatibilidad "ex natura" entre las dos cosas. Pío XII enseñó que el cisma y la herejia "suapte natura" separan de la Iglesia (Mystici Corporis). Por lo tanto, esos pecados separan al papa herético o cismático de la jurisdicción ordinaria pertinente a los cargos de la Iglesia. Y eso, dice la Iglesia en su canon citado, "sin cualquier declaración" explícita, pues la renuncia se sigue de los derechos incompatibles que de por sí manifiestan claramente la voluntad del hereje-cismático. No está pues en cuestión si
el papa está subordinado al derecho humano de la Iglesia, sino si el hecho de que la Iglesia, por su juicio, juzga que existe la renuncia tácita cuando existe la manifestación de voluntad pública, de adhesión a la herejía o al cisma. Es un acto unilateral del papa herético, por lo tanto.

Santo Tomás (2-2, 39, 3) niega la permanencia del poder de jurisdicción ordinaria de los herejes y cismáticos en cuanto al poder que es "ex iniunctione hominis"; la extraordinaria si la Iglesia la concediese "ad actum", y si por parte del propio hereje éste aceptase ejercer este acto jurisdiccional conformando su intención con la de la Iglesia en el ejercicio de ese acto. Sin estas dos condiciones, "nihil actum est".

Así, la argumentación de la permanencia de la jurisdicción papal en el papa que incurrió en herejía peca por dos razones si fuera fundada en el ejemplo del sacerdote herético que absuelve en casos donde la Iglesia le da tal poder y donde ese sacerdote acepta hacer lo que la Iglesia tiene intención de hacer: el papa herético pierde por la adhesión a la herejía la jurisdicción ordinaria del cargo papal y no consta por la Revelación la concesión de una jurisdicción extraordinaria para el papa y ella no puede ser supuesta: la suposición sólo puede ser hecha en sentido opuesto, dada la herejía y el cisma. Y aunque hubiese en la Revelación terminada la concesión de tal jurisdicción extraordinaria, no existiría por parte del papa herético la adhesión volitiva a la autoridad del cargo papal que enseñase que existen en la Revelación dos tipos de jurisdicción pertinentes al cargo papal: la ordinaria y la extraordinaria. Quien rechaza la autoridad divina para determinada materia, la rechaza para todas las materias. El hereje cismático, es hereje-cismático independientemente de la naturaleza de la herejía, del artículo de fe que él niega.

Eso fue visto por San Roberto Belarmino cuando enseñó que un papa manifiestamente herético cesa por sí mismo de ser papa y cabeza de la Iglesia, del mismo modo que cesa de ser cristiano y miembro de la Iglesia y, por esta razón, puede ser juzgado y castigado por la Iglesia (de Romano pontífice 1.2,30).

Los herejes no se mantienen, de ningún modo, en la Iglesia, ni tienen unión alguna con ella. Pío XII enseñó que los que poseen poder en la Iglesia "son sus miembros primarios y principales" [primaria ac principalia membra] y los herejes no son miembros. Hablaba ahí el papa del poder jurisdiccional ordinario (Mystici Corporis). El "cargo de doctor, rey y sacerdote" exige ser miembro de la Iglesia, de modo ordinario, dice el papa.

Pío IX, en la Encíclica " Jam vos omnes" niega que los que están "visiblemente" separados de la unidad de la Iglesia sean de cualquier modo miembros o partes de la Iglesia. Así, quien no es parte de la Iglesia no tiene jurisdicción ordinaria.

Y nadie puede ser regido en la Iglesia Católica por un hereje, vivir "haereticorum ductu" (D. S. 2881). Ahora bien, tal situación en la Iglesia subordinaría a los fieles a la regencia de un hereje. Si debemos "evitar al hombre herético" (Tito 3,10), no podemos ser regidos por él. Si debemos "no recibir" a aquel que no trae la doctrina católica (2 Juan 10-11), no podemos ser gobernados por él; sería "recibirlo" a él. Si ni en las cosas terrenas debemos procurar un juez infiel, ser juzgados "apud infideles", "judicari apud iniquos", sino que debemos buscar los jueces que están dentro de la Iglesia [qui sunt in Ecclesia] (I Cor. 6, 1-6), con mayor razón, en casos espirituales, no podríamos ser gobernados por los que tienen odio a los fieles por causa de las verdades de la fe. "Qué parte [pars] existe entre el fiel y el "infiel", dice la Revelación (2 Cor. 6,14-18). Si el hereje fuese papa exhibiría esa "parte". El infiel debe ser objeto de anatema (Gal. 1,8-9) y no de unión. No se obedece a la autoridad humana, inferior, si está rebelada contra Dios, autoridad superior.

Si la Iglesia está edificada sobre la roca de Pedro, esta roca forma parte de los fundamentos de la Iglesia. Ahora bien, es de fe que el papa herético no es miembro de la Iglesia. Luego, tampoco es parte de la Iglesia, además de no ser miembro.

Cristo ordenó a Pedro que confirmase a "sus hermanos" en la fe. Ahora bien, el papa herético no es hermano en la fe. En el Antiguo Testamento, Dios también vetó a los judíos hacer un rey de otro pueblo [alterius gentis] que no fuese un hermano [qui non sit frater tuus] (Deut. 17,15), que no fuese de la misma tribu [de tribus vestris] (Deut. 1, 13-15).

"El hombre espiritual no puede ser juzgado por el no espiriritual" (1 Cor. 2, 15). Ahora bien, las sectas son obras de la carne (Gal. 5, 20). Luego, los fieles, hombres espirituales, no pueden ser juzgados por el papa que ha incurrido en doctrina sectaria. Si Cristo "aborrece" a los herejes ("Et Ego Odi", Apoc. 2,6), no les concede poder para gobernar a los hijos de Dios.

Por lo tanto, de este modo se concluye que el papa herético dejó "ipso facto", por sí mismo, por renuncia tácita a su cargo, de tener la jurisdicción papal, de ser papa. Y, por lo tanto, que no es el papa herético un papa que deba ser depuesto [deponendus], como pretendieron algunos teólogos refutados por San Roberto Belarmino. Ningún ser humano depone la autoridad suprema; sin embargo, ella puede perder el cargo en razón de su propia voluntad cismática en relación a la autoridad divina inherente a su cargo.

Tal doctrina trae consigo responsabilidad para los Obispos que permanecieron fieles a la doctrina de la Iglesia. A ellos les corresponde ordenar la Iglesia, restablecer el orden jurisdiccional.

Que ninguno alegue la imposibilidad de la vacancia cuando es el hereje quien por su voluntad propia rechaza la jurisdicción ordinaria al cargo papal, causando la vacancia: "ipso facto vacant", enseñó la Iglesia sobre los cargos de jurisdicción ordinaria. La Iglesia "admite" la vacancia.


Homero Johas

(De la Revista "ROMA", nº 95,
agosto de 1986)

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sedevacantismo refutado? (Parte II)

Dizem os opositores do sedevacantismo que a bula "Cum Ex Apostolatus" foi em sua essência mitigada ou mesmo contraditada pelas disposições doutrinais de seu sucessor, o papa Pio IV – dado que o mesmo teria defendido em documentos referentes à eleição papal que "ninguém pode ser excluído da eleição sob pretexto de que está excomungado ou incorreu em alguma censura" e ainda "publicou uma declaração segundo a qual todos os que haviam incorrido em alguma censura, em excomunhão ou outra condenação por causa de heresia podiam submeter outra vez sua causa a uma nova averiguação judicial, não obstante todas as sentenças de seus predecessores" – bem como posteriormente "foi ab-rogada (sic) pelo Código de Direito Canônico (1917), incorporando-se a este parte do que aquela legislava". Assim, a bula tão citada pelos católicos que guardam a posição sedevacantista é considerada apenas uma fonte histórica de relevância, apenas, mas não pode ser tida como fundamento para a defesa doutrinal da inelegibilidade de um herético para o pontificado.

Responderemos uma a uma tais questões, demonstrando aonde existem os vácuos e lacunas argumentativas, bem como os saltos indutivos impróprios e embasados apenas em ignorância acerca daquilo que nos ensina a fé católica.

Há de se retomar agora também a distinção dos dois tipos de impedimento anteriormente mencionados: os provenientes de direito divino e os provenientes meramente de direito eclesiástico. E porquê? Pois essa mesma distinção está nos textos da Igreja: há documentos de cunho doutrinal, outros de cunho disciplinar. Mas em muitos dos textos da Igreja há também uma mistura dessas duas características, contendo ora partes de matéria disciplinar que é passível de mudança, ora contendo partes de ensinamentos doutrinários, que não são passíveis de serem mudados. Essa distinção é fundamental para que compreendamos posteriormente o caráter atual da bula "Cum Ex Apostolatus", de Paulo IV.

Ora, de acordo com nossos opositores, há uma afirmação de Pio IV que contradiria a bula de Paulo IV. Mas será isso verdade? Vemos francamente que não.

Em primeiro lugar, lembremo-nos que o documento de Pio IV - a constituição "In Elegendis" - é a fonte citada para o argumento de nossos opositores (já anteriormente refutado na primeira parte deste artigo) e que esta é baseada nas disposições originais da constituição "Ne Romani" (estabelecida durante o Concílio de Viena), de Clemente V. São as constituições de Pio IV e de Clemente V também dois dos vários textos-base dos documentos "Vacante Apostolica Sede", de São Pio X; e da "Vacantis Apostolicae Sedis" de Pio XII - ambos tratando das normas a serem aplicadas quando da vacância da sé apostólica de São Pedro.

Esses textos, por sua vez, deixam bastante claro qual é o significado da suspensão das excomunhões: quaisquer censuras – ressalvamos novamente – eclesiásticas estão suspensas durante o conclave. Verifiquemos agora excertos significativos da "Vacante Apostolica Sede", §29: "Nullus Cardinalium, cuiuslibet excommunicationis, suspensionis, interdicti aut alius ecclesiastici impedimenti praetextu vel causa a Summi Pontificis electione activa et passiva excludi ullo modo potest; quaas quidem censuras et excommunieationes ad effeetum huiusmodi electionis tantum, illis alias in suo robore permansuris, suspendimus" ; e da "Vacantis Apostolicae Sedis", §34: "Nullus Cardinalium, cuiuslibet excommunicationis, suspensionis, interdicti aut alius ecclesiastici impedimenti praetextu vel causa a Summi Pontificis eleetione attiva et passiva exeludi ullo modo potest; quas quidem censuras ad effetram huiusmodi electionis tarituro, illis alias in suo robore permansuris, suspendimus".

Segundo as constituições "In Elegendis" e "Ne Romani", também as medidas disciplinares da suspensão das excomunhões de direito eclesiástico são de caráter francamente interno ao da Igreja Católica. Isto é perceptível ao atentarmo-nos ao texto de ambos documentos, que com cristalina com cristalina evidência manifestam qual a razão para se suspender as excomunhões eclesiásticas: evitar cismas e divisões no seio da Igreja Católica. Dizem os textos: "Et ne dissensionis occasio aut schismatis oriatur(...)" ("In Elegendis" §29); e também: "Ceterum, ut circa electionem praedictam eo magis vitentur dissensiones et schismata(...)" ("Ne Romani" §4).

Cismas, logicamente, só podem partir de dentro da Igreja. Donde, quem está fora da Igreja por impedimento de Direito Divino – como um apóstata ou herege público – sequer pode ser considerado como referenciado nessas constituições, dado que eles já não mais possuem o caráter de membros da Igreja. É absurdo presumir coerência quando a espécie "membro principal da Igreja" (ou seja, o papa) não pertença ao gênero de "membro da Igreja". Ou seja: como podem argumentar nossos opositores que a Igreja fala da suspensão unilateral de quaisquer tipos de excomungados (um tipo de "reitegração temporária forçada" à unidade católica) sendo que ela mesma não pode levantar alguns tipos de excomunhões latae sententiae sem a colaboração dos penalizados? Nesses casos, no máximo, a Santa Madre Igreja declara estarem as excomunhões de fato e praticamente já levantadas pelo próprio arrependimento ou conversão do penalizado, e não por uma pretensa ação jurídica da Igreja que seria capaz de mudar por decreto a vontade e a crença de um herege, reintegrando-o na marra ao Corpo Místico.

Reflitamos mais um pouco na concretização da possibilidade defendida por essa desviada pantomima da fé católica, isto é, a eleição de um candidato herege ao sumo pontificado. Façamos uma "reductio ad absurdum". Dado que as disposições do direito eclesiástico afirmam que as excomunhões seriam suspensas apenas durante o conclave para efeitos de eleição passiva e ativa, como agiriam nossos opositores se, após o conclave, fosse eleito um "papa" cuja pena de excomunhão por heresia foi suspensa e novamente a mesma recaísse no sujeito eleito, logo após o fim do conclave? Teríamos ou um papa imediatamente "excomungado" – e a sé ficaria vacante novamente em virtude do cânone 188 §4 do Código de Direito Canônico (CDC) de 1917, ou um "papa herege explícito", obrigando em consciência todos os católicos se submeterem sob a pena de NÃO SEREM SALVOS (cf. Papa Bonifácio VIII, na "Unam Sanctam": "Por isso, declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos que é absolutamente necessário à salvação de toda criatura humana estar sujeita ao romano pontífice.") a um homem que já defeccionou explicitamente da fé?

Em qualquer um dos casos, teríamos uma estupidez sem precedentes. Dado que as leis deveriam ser, em primeiro lugar, disposições de ordem racional visando o bem comum de uma sociedade, é inadmissível conceber quaisquer dessas opções exdrúxulas como viáveis para um católico.

Se fossem verdadeiras as aberrantes teses de nossos oponentes, a Igreja seria – falemos como néscios – no mínimo muito insensata ao, durante toda a tecitura da História, não ter levantado todas as excomunhões de todos os hereges! Afinal, decretando-se que todos os hereges não estão mais excomungados (e pressupondo sempre a indefectibilidade da Igreja), ipso facto, os mesmos passariam a acreditar em tudo o que a Igreja ensina.

Haja "pensamento mágico"...

Fica assim à mostra que é da fulgaz incompreensão do documento de Pio IV que se cria o artifício para advogar a invalidade de uma argumentação sedevacantista fundamentada na bula "Cum Ex Apostolatus".

Outro erro de nossos opositores está na desacertada classificação da bula, pois consideram que a mesma estaria dentro daquela categoria de documentos que o direito canônico chama "ab-rogados". Porém, é impossível que tal documento seja totalmente ab-rogado, porque ele contém disposições de Direito Divino acerca do poder de jurisdição eclesiástica dos hereges (cf. citações anteriores da primeira parte deste artigo; cf. artigo 6º do CDC de 1917). Isso significa que mesmo todo o resto da bula fosse extirpado, essa parte jamais poderia sê-la – pois se admitissem isso nossos opositores, os mesmos admitiriam também que as coisas de Direito Divino poderiam ser alteradas pelas disposições da Igreja, coisa já francamente condenada no passado pelo Magistério Católico (cf. Papa Pio IX, Denzinger-Hünermann 3114). Sendo assim, é evidente que a bula não foi ab-rogada – isto é, perdeu toda a sua efetividade em todos os seus conteúdos – mas sim derrogada – isto é, perdeu sua efetividade apenas em alguns dos seus conteúdos; pois é impossível que o Direito Divino perca a sua efetividade.

É importante ressalvar, por motivo de justiça, que a bula perdeu seu poder relativo às disposições que não foram incorporadas no CDC de 1917. O estabelecimento de regras de vacância para autoridades de jurisdição política, por exemplo, os cargos de conde, barão, marquês, rei e imperador que são nominalmente citados na bula, estão revogados pela força do artigo 6, §6 do CDC de 1917, que diz: "Se alguma das demais leis que até agora se tinham como vigentes não se contém nem explícita nem implicitamente no Código, há de afirmar-se delas que perderam todo o seu valor, a não ser que se encontrem em livros litúrgicos aprovados ou são leis de direito divino, seja positivo ou natural."

Mas como dizer o mesmo das disposições concernentes à vacância dos cargos de homens heréticos? No cânone 188,§4 e no cânone 2314,§1 e §3, temos a incorporação das normas disciplinares da Bula de Paulo IV. Direito Divino aí aplicado, com "validade perpétua" – para repetir as frases de Sua Santidade, Giovanni Pietro Carrafa, o papa autor da bula "Cum Ex Apostolatus".

Continunando a nossa exposição das inverdades apresentadas pelos nossos oponentes, um terceiro erro seria considerar que o novo julgamento dos condenados em processos inquisitoriais pelo papa Paulo IV seria uma demonstração cabal de que as normas baixadas pela "Cum Ex Apostolatus" eram completamente relativas, meramente eclesiásticas e, por isso mesmo, absolutamente dispensáveis se assim outro papa quisesse.

Diz o teólogo sedevacantista Homero de Oliveira Johas acerca desse assunto algo bastante esclarecedor: "Supondo ser verdadeiro o que Pe. Ceriani diz sobre Pio V(...), nada mudaria na [validade da] bula de Paulo IV. A aplicação justa de uma lei universal ao caso singular, por sentença 'ab homine', não é o caso da vacância 'ipso facto' da Bula. E, mesmo em sentença nominal, se um juiz aplicou injustamente uma pena a um caso singular, isso em nada altera a lei a ser aplicada justamente. O Pe. Ceriani, entretanto, insinua que a própria lei em si, a 'definição' é injusta, o que é insubmissão contra a lei de Deus e da Igreja, além de ser contradição: [dado que] ele mesmo afirma que São Pio V, em outra bula* repetiu as normas de Paulo IV (Bula* "Inter Multiplices") Logo, a alegação é inepta, tendenciosa, sofística." (cf. Revista Roma, nº 122 – 1992; * Na verdade, não é uma bula, mas sim uma carta 'motu próprio'). Noutros termos, poderíamos usar aqui o famoso adágio "o abuso não condena o uso". Que querem os opositores do sedevacantismo? Querem que admitamos que revisão das condenações por heresia seja uma condenação do próprio critério utilizado para serem condenados os heréticos, bem como para os mesmos sofrerem as conseqüências da heresia. Ora, se a base para esse salto indutivo era a possibilidade dos condenados por heresia se submeterem a uma nova inquisição judicial acerca da heresia por causa da qual eles tinham sido condenados, estamos completamente certos de que tal conclusão – confrontada com a esclarecedora exposição proveninente do artido de H.Johas acima – não vale nada.

Enfim, esquadrinhando a essência das teses dos opositores do sedevacantismo, observamos que elas não são tão bem enraizadas quanto eles gostam de fazer acreditar os incautos. Pelo contrário, erram inclusive em pontos que deveriam ser entendidos por todos os católicos, desde os tempos de suas primeiras aulas de catequese.
No entanto, a imprudência desses senhores é grande: condenam o que desconhecem e desconhecem o que condenam. Preconceito, juízo temerário, precipitação. Para tais pessoas, tão grande é a cegueira preconceituosa na qual se encontram, mas realmente tão grande, que aos poucos dão, espantosamente, um novo significado à expressão "ignorância invencível"...

Que Deus nos ajude a sempre permanecermos fiéis à verdade.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Lema dos Católicos Tradicionais

Lema dos Católicos Tradicionais

Nós somos o que vocês um dia foram.
Nós acreditamos no que vocês um dia acreditaram.
Nós veneramos aquilo que vocês um dia veneraram.
Se vocês estavam certos naquele tempo, estamos certos no presente.
Se estamos errados agora, vocês estavam errados naquele tempo.


Traditional Catholics' Motto

We are what you once were.
We believe what you once believed.
We worship as you once worshipped.
If you were right then, we are right now.
If we are wrong now, you were wrong then.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Sedevacantismo refutado? (Parte I)

Diz um antigo adágio, provavelmente – não me lembro bem – tecido por um padre confessor: "Diante de evidências manifestas, mais justo e humilde é acusar que escusar".

Sabemos, no entanto, como é difícil dobrar a vontade humana diante das evidências de algo que não queremos aceitar. Por pura resistência em admitir o erro da posição anteriormente guardada, acaba-se dando falsas excusas para atos e fatos, consentindo que o orgulho prevaleça diante destes e daqueles, tornando com isso a verdade apenas um mero apêndice pouco importante. Escusamos o erro e o errático no lugar de acusarmos ambos. E, se dos erros tiram-se conclusões inevitavelmente perturbadoras, as escusas multiplicam-se ainda mais, no intuito de sanar a priori os efeitos de algo com que não queremos confrontar quiçá a mera possibilidade – quanto mais a evidência! – de ser verdadeiro.

Muitos dos tradicionalistas resistentes ao "Concílio" Vaticano II que não são sedevacantistas costumam dar inúmeras excusas para prolongar ad infinitum a sujeição nominal aos "papas" na igreja pró-CVII, mesmo considerando os ensinamentos e doutrinas propaladas pelo CVII e após este como errôneas, cismáticas ou inclusive heréticas, dando a seus defensores o epíteto de, ao menos, heréticos materiais. Sujeitam-se à pessoa que crêem ser papa, mas não se sujeitam, em todas as coisas devidas, nem ao seu magistério nem à sua jurisdição imediata, sob a alegação de que "resistem" em face de injustiças, pois tais papas seriam heréticos materiais professores de doutrinas errôneas e trabalhariam em favor da destruição da Igreja Católica, destruição que seria lícito resistir mesmo sob a gravíssima necessidade de sujeição ao romano pontífice (cf. Papa Bonifácio VIII, Bula "Unam Sanctam" – "Por isso, declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos que é absolutamente necessário à salvação de toda criatura humana estar sujeita ao romano pontífice").

Quando perguntados sobre a pertinácia desses "papas", muitos deles argumentam que mesmo que fossem heréticos tais homens antes de serem papas, ainda sim eles poderiam ser "válida e licitamente sagrados" pontífices. E para defender tal afirmação espúria, dizem que na constituição "Vacantis Apostolicae Sedis", promulgada pelo Papa Pio XII, no §34, afirma-se nenhum cardeal excluído ficar da eleição passiva ou ativa do Sumo Pontífice por motivo de excomunhão, suspensão ou interdito; logo, deste mesmo modo, quaisquer homens que mesmo segundo tais aparentes impedimentos doutrinais (isto é, mesmo sendo heréticos) fossem sagrados papas, poderiam efetivamente estar no comando supremo da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana.

Se confrontados com a bula "Cum Ex Apostolatus", promulgada pelo Papa Paulo IV, a qual define ser a eleição de qualquer indivíduo herético/cismático instantaneamente nula e claramente inválida, dizem: "Ah! Tal bula já foi revogada pela Igreja Católica há muito tempo - . As disposições nela contidas são improcedentes para a aplicação moderna. Anacrônicas! Não é por meio delas que se pode afirmar serem inválidos tais papas hodiernos". E rejubilam-se em suas desleais escusas contra a indefectibilidade e contra a doutrina comum da Santa Madre Igreja provando, pelos seus atos e palavras, a sobejada audácia desses senhores.

Fazendo isso, estes crêem darem-se a si mesmos provas de que não são cismáticos e, numa adesão formal à figura individual que se assenta (materialmente) sobre a Sé de São Pedro, acreditam por isso também estarem concretamente fiéis a um verdadeiro papa. Diante de tal contraditório ensinamento e práxis, cria-se também a falsa idéia de que os sedevacantistas seriam, per se, defensores de uma doutrina errônea acerca do sumo pontífice, isso quando esta não é categorizada, coisa infelizmente não rara, como herética ou cismática. Isso porque desobedeceriam as deliberações da Igreja acerca da obrigatória sujeição ao romano pontífice – mesmo que puramente nominal, como a deles – pregando que os "papas" Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II e Bento XVI e que em Roma estão ou estiveram empossados na Sé de São Pedro eram antes da eleição hereges, e estes nunca poderiam ser eleitos validamente.

Mas a verdade é bem outra. Pretendemos mostrar aqui que essas proposições de pouco ou nada valem diante daquilo que a Santa Madre Igreja ensinou sobre a questão da eleição de um herege como papa.

Verifiquemos primeiramente os erros da tese de que mesmo um candidato excomungado poderia ser eleito papa, baseada na "Vacantis Apostolicae Sedis", de Pio XII. A argumentação de nossos oponentes pode ser reduzida a um silogismo simples, que diz:

Premissa Maior:
"Nenhum tipo de impedimento incorrido por um cardeal (excomunhão, suspensão ou interdito) é obstáculo para o mesmo eleger um papa ou ser eleito papa";

Premissa Menor:
Ora, "X é um cardeal que está sob um impedimento de excomunhão, por ser herético";

Conclusão:
Logo, "X não pode ser impedido de ser eleito papa ou de eleger um papa".

O erro desse silogismo está na consideração universal da premissa maior, deduzida erroneamente duma leitura apressada da "Vacantis Apostolicae Sedis".

Segundo este documento promulgado por papa Pio XII, não são quaisquer impedimentos que não são obstáculo para um cardeal eleger ou ser eleito papa, mas tão somente os impedimentos eclesiásticos. O parágrafo 34 do decreto referido afirma: "…aut alius ecclesiastici impedimenti praetextu".

Isso porque há impedimentos e excomunhões (anátemas) que são provenientes não apenas de direito eclesiástico, mas também de Direito Divino (cf. tópico "Impedimentos Canônicos" - "Canonical Impediments", da Catholic Encyclopedia-1917, que diz: "The impediment, in other words, the restriction or suppression of the juridical capacity of the agent, may arise from natural laws from Divine law, or from human law, ecclesiastical or civil". – "O impedimento, noutras palavras, a restrição ou supressão da capacidade jurídica do agente, pode advir de leis naturais, da lei Divina ou da lei humana, [seja] eclesiástica ou civil") – e a Igreja sobre estes últimos impedimentos não possui poder algum, dado que ela mesma é submissa ao Senhor e à sua Lei, e não o contrário.

Sabendo também que a Igreja nos ensina que nem mesmo o papa – o possuidor do maior cargo dentro da Santa Madre Igreja Católica – é isento de se submeter em tudo ao Direito Divino (cf. Papa Pio IX, Denzinger-Hünermann 3114), e sabendo que por Direito Divino os heréticos são privados da possibilidade de receberem quaisquer cargos na Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, (cf. tópico "Impedimentos Canônicos" - "Canonical Impediments", da Catholic Encyclopedia-1917, que diz: "A heretic, (...) is incapable of acquiring spiritual jurisdiction" – "Um herético (...) é incapaz de receber jurisdição espiritual". Vide também M.Coronata, no "Institutiones Juris Canonici", 1:312.: "What is required by divine law for this appointment.… For validity it is also required that the person appointed be a member of the Church. Heretics and apostates - at least public ones - are therefore excluded." – "O que é requerido pela lei divina para esta designação… Para a validade é necessário que a pessoa designada seja um membro da Igreja. Heréticos e apóstatas – pelo menos aqueles públicos – são conseqüentemente excluídos". Vide ainda P. Maroto, "Institutiones Iuris Canonici", 2:784 – “Heretics and schismatics are barred from the Supreme Pontificate by the divine law itself" – "Heréticos e cismáticos são barrados do Sumo Pontificado pela lei Divina mesma") ainda mais propriamente o sumo pontificado, a patência dessa falácia pseudotradicionalista mostra-se em toda sua desprezível falsidade.

Isso que afirmamos não é arbitrário: está manifesto de modo cristalino no Direito da Igreja. No cânone 2314 do "Código de Direito Canônico" (1917), §1 - "Todos os apóstatas da fé cristã e todos e cada um dos hereges e cismáticos: 1º Incorrem ipso facto em excomunhão".

Também no Sagrado Magistério da Igreja – coativo a todas as consciências dos católicos em matéria de Magistério Ordinário Universal – está explícito tal ensinamento. Na "Mystici Corporis" §22, Pio XII ensina-nos que os "Nem todos os pecados, embora graves, são de sua natureza tais que separem o homem do corpo da Igreja como fazem os cismas, a heresia e a apostasia". E na "Satis Cognitum" de Leão XIII, §37, está escrito claramente: "É absurdo que presida na Igreja quem está fora dela". Nas Sagradas Escrituras também encontramos passagens referentes a essa verdade de Direito Divino (Tit 3,10-11; Gal 1,8-9; 2 Cor 6,14-18; Jo 3,18; 2 Jo 10-11), bem como nos decretos do 3º e 5º Concílios Ecumênicos da Igreja Católica (Éfeso e II de Constantinopla).

É evidente isso também quando analisamos a estrutura da Santa Madre Igreja por meio de uma perspectiva sociológica, usando a força da sã razão humana.

A Igreja Católica é uma sociedade de fé, de instituição Divina. Para se fazer parte dela, deve-se crer e agir conforme aquilo que é necessário e essencial à pertença nela – só que aquilo que é necessário crer e fazer para pertencer à Igreja não está totalmente sob o poder dela: há determinadas normas que sim (as excomunhões de direito eclesiástico, que a Igreja mesma estabeleceu), e outras que não (as excomunhões de Direito Divino, diante das quais a Igreja apenas se submete). Sabendo que um herético é aquele indivíduo que nega ao menos uma das proposições que devem ser cridas ou realizadas pelos integrantes dessa sociedade, evidentemente a partir do momento em que um dos membros da Igreja se torna um herege, ele se exclui do grupo social desta.

Excluindo-se de um grupo social uma determinada pessoa, qualquer cargo desse mesmo grupo que por aquela pessoa for exercido, só poderá de fato ser exercido por essa pessoa e ao mesmo tempo não ser contra a natureza do grupo em uma circunstância: se o próprio grupo social – naquilo que lhe é competente – permitir que tal pessoa exerça o determinado cargo. Ora, como a Igreja não possui poder para modificar aquilo que Deus mesmo estabeleceu (isto é, as excomunhões de Direito Divino), temos então que a Igreja só poderia permitir que uma pessoa excomungada exercesse um cargo nela quando a excomunhão fosse proveniente de uma lei meramente eclesiástica. Dado que a exclusão do herético na Igreja é uma exclusão que por Direito Divino foi estabelecida, a Igreja nada pode fazer para tornar aquele excomungado um encarregado de qualquer coisa dentro dela – ela não possui jurisdição nem poder para tanto. Tal está exclusivamente em Deus.

O que os pseudotradicionalistas terminam por defender com isso é que a Igreja seria capaz de fazer algo que nem mesmo Deus teria permitido ela fazer. Dão à Igreja um poder que a ela não pertence. Pervertem a compreensão do poder da Igreja, tal como o Chanceler Bismarck perverteu, achando-a com jurisdição mesmo sobre as coisas divinamente instituídas. É como se dissessem: "A Igreja tem o poder de alterar o conteúdo dos Evangelhos, a revelação pública de Nosso Senhor Jesus Cristo ou os Dez Mandamentos".

Absurdos, tanto os provenientes do exemplo ilustrativo quanto os acima realmente enunciados, não podem ser aceitos por católicos sérios. Tamanha incompreensão sobre a verdadeira natureza da ação da Igreja ao suspender os impedimentos durante um conclave só confunde as almas católicas ao invés de levá-las a compreender corretamente a situação atual dos "papas" da igreja conciliar.

Confrontados com essa exposição dessa estultice, certamente já se apoiariam com menos ardor num exemplo histórico que antes pretenderam que fosse a imagem concreta da doutrina defendida. Mas supondo ainda muitos não estarem convencidos até que se prove igualmente essas imagens não procederem na justificação de suas objeções, convém atinarmo-nos para tal problema.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Introdução à meditação (Anônimo)

Caríssimo,

Por meio desta pequenina contribuição, desejo dar-lhe alguns conselhos que talvez possam ajudar-lhe em suas vivas aspirações por um desenvolvimento na meditação cristã. Por isso, em primeiro lugar, farei uma breve introdução ao tema 'meditação', e depois farei a exposição de um método que aprendi por conta própria, com minha experiência. Sinta-se livre para usar outros modos, esse é apenas um - e duvido que seja dos mais perfeitos.

Sendo assim, e rogando a Jesus Cristo através da intercessão da Santíssima Virgem Maria para que aproveites como convém este artigo, dou lugar à exposição.


1-) Meditar, o que é?

Em que se consiste a meditação? Quando se diz que alguém está meditando, o que de fato tal pessoa está fazendo? Quais são os fundamentos de uma meditação bem feita?

Os monges budistas meditam. Os enclausurados católicos meditam. Os filósofos meditam. Mesmo um trabalhador do campo ou um operário de chão de fábrica pode meditar.

A meditação, considerada de modo abrangente, é o concentrar-se, é o ato de fixar a sua atenção em um determinado objeto. Há graus mais ou menos intensos de meditação, segundo a gradação e a quantidade de referenciais intelectuais/sensorais/volitivos voltados para o mesmo objeto.

Não vou me ater aos diferentes tipos de meditação, pois esse manual não possui a pretensão de tornar-se um tratado sobre o tema. Agora,vou ensinar-te os primeiros passos da meditação cristã, a fim de que não percas o progresso espiritual até agora conquistado, e também para que possas tornar-te um homem melhor, através da conformação da sua vida à vida de Cristo e dos seus santos.

2-) Exemplos de meditadores e do valor da meditação

Nas Sagradas Escrituras, há um perpétuo convite à meditação. Diz o Salmo 1,2: "Feliz aquele que se compraz no serviço do Senhor e medita sua lei dia e noite." No Salmo 48, 2-4: "Escutai, povos todos; atendei, todos vós que habitais a terra, humildes e poderosos, tanto ricos como pobres. Dirão os meus lábios palavras de sabedoria, e o meu coração meditará pensamentos profundos." E no 76,12-13: "Das ações do Senhor eu me recordo, lembro-me de suas maravilhas de outrora. Reflito em todas vossas obras, e em vossos prodígios eu medito." Essas passagens são explícitas demonstrações práticas de meditação.

Jesus Bem Sirac escreve, inspirado por Deus, no Sexto capítulo do livro de Eclesiástico: "Meu filho, se me ouvires com atenção, serás instruído; se submeteres o teu espírito, tornar-te-ás sábio. Se me deres ouvido, receberás a doutrina. Se gostares de ouvir, adquirirás a sabedoria. Permanece na companhia dos doutos anciãos, une-te de coração à sua sabedoria, a fim de que possas ouvir o que dizem de Deus, e não te escapem suas louváveis máximas. Se vires um homem sensato, madruga para ir ter com ele, desgaste o teu pé o limiar de sua porta. Concentra teu pensamento nos preceitos de Deus, sê assíduo à meditação de seus mandamentos. Ele próprio te dará um coração, e ser-te-á concedida a sabedoria que desejas."(33-37).

E a Virgem Maria, exemplo sublime de todo homem que medita, é mostrada pelas escrituras como exemplo clássico de meditadora. Em Lucas 2, lemos: "Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: Hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: achareis um recém-nascido envolto em faixas e posto numa manjedoura. E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia: Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência (divina). Depois que os anjos os deixaram e voltaram para o céu, falaram os pastores uns com os outros: Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou. Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino. Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores. Maria conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração. Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito.".

Jesus também desejava que os homens meditassem santamente, refletindo nas ações dele e nos prodígios de Deus, bem como em seus mistérios: "Jesus advertiu-os: Abri os olhos e acautelai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes! E eles comentavam entre si que era por não terem pão. Jesus percebeu-o e disse-lhes: Por que discutis por não terdes pão? Ainda não tendes refletido nem compreendido? Tendes, pois, o coração insensível? Tendo olhos, não vedes? E tendo ouvidos, não ouvis? Não vos lembrais mais? Ao partir eu os cinco pães entre os cinco mil, quantos cestos recolhestes cheios de pedaços? Responderam-lhe: Doze. E quando eu parti os sete pães entre os quatro mil homens, quantos cestos de pedaços levantastes? Sete, responderam-lhe. Jesus disse-lhes: Como é que ainda não entendeis?..."(Lc 8,15-21).

Em parábolas Jesus falava exatamente para fazer com que os seus ouvintes refletissem e meditassem na palavra de Deus. Em Marcos 13, diz o Senhor: "Aquele que tem ouvidos, ouça. Os discípulos aproximaram-se dele, então, para dizer-lhe: Por que lhes falas em parábolas? Respondeu Jesus: Porque a vós é dado compreender os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não. Ao que tem, se lhe dará e terá em abundância, mas ao que não tem será tirado até mesmo o que tem. Eis por que lhes falo em parábolas: para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não ouçam nem compreendam. Assim se cumpre para eles o que foi dito pelo profeta Isaías: Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis, porque o coração deste povo se endureceu: taparam os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda; para que não se convertam e eu os sare (Is 6,9s). Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem! Eu vos declaro, em verdade: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram." (9-17).

A expressão "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça" refere-se exatamente a isso: quem fica atento para a realidade que agora diante de vós é manifesta, que a aceite! E para tal intento, a reflexão, a meditação é um instrumento privilegiado, pois abre-nos a atenção para aquilo que está diante de nós, mas não vemos; está sendo dito, mas não está sendo escutado... A meditação ajuda-nos a discernir a verdade, e ajuda-nos a adequarmo-nos a ela assim que esta for compreendida e manifesta. É um dos métodos para se aproximar à Verdade.

O valor da meditação nas coisas é importante para delas extrairmos verdades simples, fundamentais. E, se nas coisas do mundo a meditação é necessária, nas coisas do alto, não seria? Se para as coisas indignas há meditação, não haverá meditação para as dignas??

3-) O ato da meditação cristã

Fixarmos a nossa atenção em determinado objeto é bom, pois nos ajuda a compreender o objeto, as verdades a ele inerentes, e as verdades e exemplos que esse mesmo objeto traz consigo. Há diferentes objetos de meditação (objetos sobre os quais refletimos). O mais digno deles é Deus mesmo, a Verdade mesma, o Amor mesmo, o Supremo Ser.

A meditação cristã visa essencialmente contemplar através da intencionalidade espiritual dirigida para os acontecimentos da história da Salvação, desde o antigo testamento até a vida dos santos atuais, a sua principal e máxima fonte de reflexão: a anunciação, o nascimento, desenvolvimento, vida, paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo, o Intelecto de Deus encarnado – Caminho, Verdade e Vida.

Sendo assim, nosso principal objeto é meditar na vida de Cristo. É meditar sobre Cristo, em Cristo, por Cristo e para Cristo. É meditar nas ações, sentimentos, ensinamentos d'Ele. É aprender com o Supremo Mestre. É buscar beber da fonte de água viva da Verdade Divina que entre nós viveu, morreu e ressuscitou.

Prova disso é aquilo que Jesus disse à Marta, irmã de Lázaro: "Estando Jesus em viagem, entrou numa aldeia, onde uma mulher, chamada Marta, o recebeu em sua casa. Tinha ela uma irmã por nome Maria, que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. Marta, toda preocupada na lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a boa parte, que lhe não será tirada." (Lc 10,38-42)

Cada ato de Cristo, cada expressão, ensinamento, palavra, cada aspecto de Jesus, cada tentativa de imitação de Cristo na vida dos santos... tudo isso deve ser objeto de nossa meditação cristã.

E como o Senhor Jesus era o Cordeiro de Deus, o cordeiro perfeito sem mancha de espécie alguma, também nós devemos procurar sermos como Ele. Mas como seremos Cristo sem a ele nossa mente, nossa vontade e nossas ações estarem conformadas? Como é que passaremos a imitar a Cristo se não temos conhecimento do quê imitar?

É para isso que a meditação cristã existe. Ela é um meio, e não um fim em si mesma.

4-) Como meditar?

O método da meditação cristã pode ter como objeto qualquer coisa que leve alguém a compreender e conformar melhor a sua vida à vida de Jesus.

A meditação mais conhecida e certamente a mais praticada dentre os meios cristãos é meditação dos Mistérios do Santo Rosário Mariano. Mistérios Gozosos, Dolorosos e Gloriosos da vida de Cristo.

Como a vida de Cristo é perfeitamente humana e perfeitamente divina, assim creio que também deve ser a meditação cristã: ela deve cotejar aspectos sensoriais, volitivos, intelectuais e espirituais em sua meditação, dentro de um recorte que é o próprio objeto da meditação.

E como a meditação é um processo intelectivo de concentração intencional sobre um acontecimento(fato), um ensinamento(doutrina) ou uma pessoa(indivíduo), é importante evitar todo tipo de distração – intelectiva, volitiva ou sensorial. Que seus sentimentos, vontade e ação estejam completamente submersos no ato da meditação. Se quiserdes fechar os olhos, isso será um instrumento facilitador para evitar a dispersão do espírito. Se quiser desligar o celular, o telefone, a televisão... se quiser ir para um lugar silencioso, evitar contatos com o exterior, evitar estar com desconforto físico, etc. Tudo isso é fundamental para centrar-se em pensamentos dignos e frutuosos durante meditação.

Meu método não é um método perfeito. Ele é adequado segundo nas necessidades, o objeto, as minhas disposições e as disposições do ambiente no qual estou, etc. Sintam-se livres para discordar de mim e encontrar meios mais perfeitos, pois creio ser minha contribuição bastante pequena nessa área.

Explico como meditar, por exemplo, através dum acontecimento bíblico: a Anunciação da encarnação de Cristo feita pelo anjo Gabriel à Santíssima Virgem Maria. Vejamos o relato no livro de Lucas 1,25-38, que nos servirá de material (será o objeto) dessa meditação.

"No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria.
Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível. Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.".

4.1-) Aspectos sensíveis da meditação

Pensemos primeiramente nos aspectos sensíveis – ver, tocar, cheirar, experimentar, sentir, ouvir. Procure conceber em sua mente como era a Galiléia. Imagine a região da Galiléia, e um vilarejo chamado Nazaré. Use, para reconstruir essa imagem mental, todas as informações disponíveis que tendes sobre aquela região: clima, umidade, tempo, data, condições físicas, sociais, econômicas, espirituais, culturais, de saúde, de vestimentas e estética, de trabalho e de religião. Depois de pensar nesse grande lugar, vá até a casa de Maria. Como é a casa de Maria? Muitos, poucos cômodos? É limpa, aseada? Empoeirada, cheia de areia? Está feita com que tipo de material? Como são os móveis? Como está a iluminação? Janelas? Bens de consumo, alimentos, roupas, onde fica cada coisa? E espiritualmente? Procure ver a casa espiritualmente as relações da Virgem Maria. Ela é uma casa abençoada por Deus? Há anjos em volta da Virgem? E como são os anjos? E como é a relação dos anjos com a Virgem Maria? Como eles se comportam antes do anúncio do arcanjo Gabriel? E antes um pouco da anunciação, estava a Virgem fazendo o quê? Estava cozinhando? Rezando? Meditando? Ou estava entretida com outras atividades?

A imaginação sensível – como podemos notar acima – preocupar-se-á com aquilo que você estará sentindo durante o acontecimento meditado, como se lá você estivesse. Alguns preferem ficar assumindo papéis durante a meditação (uns pensam-se como o anjo, ou como Nossa Senhora), outros são como que um observador invisível daqueles fatos, outros ainda sentem-se ora como um, ora como outro, ora os dois, ora nenhum (temos nesse caso um meditador observador e partícipe). Não obstante o papel que assumas, procura guiar teus sentidos para aquilo que eles deveriam sentir se lá estivessem. Eles devem tentar reproduzir as sensações daquilo que é o objeto de meditação, e essas sensações devem ser atualizadas a cada momento, a cada informação nova que vai se apresentando à nossa mente durante a meditação do acontecimento.

Ou seja: se você sentia algumas coisas antes da aparição do Anjo, a esses sentimentos novos fatos foram agregados, e esses fatos produzem novos sentimentos que devem ser meditados simultaneamente. Num instante a Virgem estava entretida com uma atividade e depois – oh! – um anjo se apresenta diante dela! Quais reações sensoriais aí estão envolvidas? Certamente são diferentes daquelas que a atividade anterior oferecia. Tudo isso é simultâneo na meditação, que progride reproduzindo os sentimentos segundo a ordem narrativa do evento meditado.

4.2-) Aspectos volitivos da meditação

Depois, vamos para a meditação volitiva do fato meditado. Da palavra 'volição' é que vem a palavra 'vontade', e exatamente isso é o que observaremos dentro dos acontecimentos sentidos. Qual era a vontade de Deus, em primeiro lugar, ao mandar o anjo fazer a anunciação? E a vontade do anjo Gabriel, qual era? E a dos anjos que estavam ali, mas não faziam a anunciação? E a vontade da Virgem, pouco antes da anunciação, como seria? E durante, e depois? O que queriam cada um dos envolvidos no acontecimento? Como é que a vontade deles reagia aos acontecimentos dos quais eles eram participantes? Como a vontade humana ou angélica interagiam? Os sentimentos criados por efeito dos fatos sensíveis e intelectivos afetavam a vontade (isto é, os aspectos volitivos) daqueles que na anunciação estavam envolvidos, ou não??

Os aspectos volitivos (a vontade) podem ser divididos - segundo o objeto - como aspectos prévios (antes do evento meditado), aspectos posteriores (depois do evento meditado) ou aspectos intermediários (que se manifestam 'durante' o evento meditado). E cada aspecto volitivo é também simultâneo ao desenvolvimento dos fatos na narração da anunciação. Ou seja, a cada ato que acontece na narração bíblica, há uma relevância sensorial especifica, bem como uma relevância volitiva específica – que pode acompanhar ou não as relevâncias sensoriais. Trocando em miúdos através de um exemplo: a sensibilidade física da Virgem Maria mudou bastante conforme o acontecimento da aparição angélica (sentiu o anjo, viu o anjo, ouviu o anjo, escutou a saudação do anjo, etc) mas por acaso houve nesse meio tempo entre a aparição e a atividade anterior alguma relevante nota volitiva? Houve alguma decisão da vontade digna de nota durante esse acontecimento??

Por isso, embora a cada fato exista um fator volitivo em questão, os fatores volitivos dignos de relevância e valor são percebidos como diferentes dos sensitivos. Enquanto para os sentidos determinados fatos são relevantes de serem lembrados com o intuito de mergulhar o nosso corpo no evento da meditação cristã, os fatores volitivos que são relevantes podem pulular depois de vários eventos sensíveis ou intelectivos, ou mesmo depois de nenhum (uma decisão arbitrária, por exemplo). Para percebermos esses eventos volitivos, é necessário pelo menos momentaneamente realizar um juízo de valor sobre a soma dos fatos e sua relevância até aquele momento.

Os fatores volitivos posteriores ao evento devem ser considerados pouco antes de terminar a meditação; a eles podemos nos adequar se são bons. Podemos rejeitar se são maus. Exemplo: a Virgem Maria disse que ali estava a serva do Senhor, e rogou para que nela se fizesse a Vontade Divina. Tal disposição volitiva teve um resultado? Ele foi bom? Deve ser imitado em alguma medida? Que mais pode ser imitado? E quanto aos aspectos volitivos que foram maus? Quais deles devem ser evitados? Quais lições podemos extrair através daquelas disposições volitivas (decisões) a serem rejeitadas? Etc.

4.3-) Aspectos intelectivos da meditação

Os aspectos intelectivos da meditação são os mais abrangentes, e de longe são os que mais produzem frutos na alma piedosa que aspira à Verdade.

Os aspectos intelectivos da meditação são as verdades que podem ser apreendidas através da atenta observação do acontecimento, bem como das íntimas verdades que tal fato nos comunica por si só e em relação com outros fatos. Por exemplo: quando vemos a Virgem Maria receber, numa cidadezinha da Galiléia, a anunciação angélica de que haveria de conceber o Redentor, quais coisas podemos aprender? Quais lições Deus nos dá a conhecer através desses eventos? Poderíamos aprender muitas coisas, segundo os símbolos ali descritos, segundo os detalhes dos eventos, segundo as disposições da providência Divina...

No Antigo Testamento, Deus havia prometido que de uma moça virgem o Messias (Cristo) seria concebido. Conclusões possíveis: Deus cumpriu sua promessa. Deus é fiel para com as suas promessas, e n'Ele podemos depositar nossa confiança. Deus lembrou-se dos homens em tudo, mesmo no cumprimento de suas 'obrigações auto-impostas'.

Deus manda um anjo avisar à Virgem Santíssima de que ela conceberá através do Espírito Santo, e que o manto do altíssimo a cobrirá. O antigo sinal judaico para 'desposar alguém' era colocar a pessoa desposada sobre o manto daquela que está desposando. Sendo assim, vemos Deus assumindo a Virgem Maria como 'Esposa de Seu Espírito', tornando aquela mulher a criatura mais entranhada na Trindade: Filha de Deus-Pai, Esposa do Deus-Espírito Santo e Mãe de Deus-Filho. Isso nos mostra o quanto Deus amou e ama a Virgem Maria, do modo que ela se torne, de todas as criaturas, a mais agraciada. Afinal, o texto sacro também não diz que o anjo a chamou "CHEIA de Graça"? Cheia, repleta, puro e inviolado Vaso da Graça Divina!

Tais verdades, quer sejam veladas ou explícitas, são maravilhosas imagens refletidas de Deus nas criaturas, nos acontecimentos e fatos, que nos fazem rejubilar de alegria do Espírito durante a meditação. Cada fato, cada detalhe percebido em sua verdade íntima ou correlata, pode levar-nos à contemplação de uma realidade cada vez mais densa, mais profunda, completa e salvífica.

É através destas que nosso intelecto começará a fruir da Graça de Deus reservada àqueles que são amantes da Verdade. A meditação já é uma alegria que aparenta como que um prelúdio da beatitude celeste, e os aspectos intelectivos são como que a doce seiva que preencherá os frutos da meditação.

Novamente insisto que para cada fato da narração bíblica meditada, há por vezes muitos aspectos intelectivos dignos de nota, ou apenas um. Aconselho que cada pessoa escolha aqueles que acredita serem os mais relevantes para o significado total daquele evento meditado. Segundo as disponibilidades de tempo, cada um pode ficar desde alguns minutos, horas, dias ou até meses meditando nos inúmeros aspectos intelectivos de cada objeto.

Os aspectos intelectivos também são flexíveis quanto a sua abrangência. Alguns são relativos a um grupo de eventos, outros são relativos a um evento particular. Como tais, há aspectos de verdades maiores e menores, mais relevantes e menos relevantes segundo o interesse daquele que medita, segundo os seus objetivos.

5-) A Oração

Como fruto da meditação, a oração é sua atividade complementar. Através da oração cristã e da meditação, podemos adequar nossa vontade a Cristo e aos seus Santos, para então vivermos como Ele, agirmos como Ele, sermos como Ele, no intuito de nos tornarmos Santos.

Na meditação cristã do Terço, enquanto se pronunciam vocalmente as orações normais do católico, meditamos nos mistérios da redenção divina. Adequamos e ocupamos assim o homem como um todo na hora de orar e meditar, fazendo disso o instrumento por excelência de um desenvolvimento sadio da espiritualidade e intimidade com Deus – Caminho, Verdade e Vida Plena a qual todos nós aspiramos.

Podemos rezar o 'Pai-Nosso' meditando aquilo que a oração nos traz como verdade em seu bojo, e podemos aplicá-las (as verdades da oração) ao evento meditado secundariamente. No caso do Santo Terço, usamos como mecanismo de meditação as 'frases-oração' do 'Pai-Nosso' no contexto dos mistérios gozosos, dolorosos, gloriosos... etc. O mesmo se dá com a 'Ave-Maria'. E com o 'Glória ao Pai', e com qualquer outra oração, que pode ser meditada em si, ou ser usada como mecanismo vocal de meditação de uma reflexão secundária.

Nunca deixe de meditar enquanto for principiante nas orações e em suas relações com Deus. É uma excelente introdução a um dos principais métodos de oração cristã.

Através da meditação, podemos chegar à contemplação – nível alto de oração na qual Deus mesmo ora em nós de modo ativo, e nós de modo passivo (exatamente o inverso da meditação, no qual o agente somos nós, e o objeto é Deus).

Por enquanto, é isso, amigo.

Qualquer dúvida, procure-me ou procure uma pessoa mais capacitada para lidar com essas questões – coisa que não creio ser difícil, haja vista minha miséria e fraqueza em questões do espírito. Um abraço, e conte com minhas orações.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Voltaremos à atividade!

Depois de algum tempo em missões materiais com frutos abundantes (Deo Gratias!) estamos a retomar a propagação da fé católica também por meios virtuais.

Novas postagens surgirão com o tempo.